Cinco problemas que podem matar qualquer startup emergente (por melhor que seja sua ideia)

Especialistas listaram o que atrapalha o empreendedor do segmento

A publicitária Tatiana Pezoa está começando a sua terceira startup em seis anos. A Trustvox, uma plataforma que disponibiliza os comentários e opiniões de clientes para as lojas de comércio eletrônico, tem apenas sete meses de vida e felizmente conseguiu passar por um dos maiores testes nesse estágio inicial da empresa: o negócio encontrou um investidor interessado. “Foram quase quarenta reuniões em quatro meses. Só na última consegui convencer um grupo de investidores-anjos que coincidentemente tinham negócios na área”, afirma.

Conseguir um investimento ficou mais difícil para startups no ano que passou. Mas ele está longe de ser o primeiro problema que o empreendedor irá enfrentar nesse estágio inicial. Além dos problemas clássicos do pequeno empresário, como carga tributária alta e burocracia complexa, somam-se outros que complicam um pouco mais a vida de quem quer ingressar nesse ramo novo e altamente inovador.

Fechar uma empresa

Para o presidente da Associação Brasileira de Startups, Gustavo Caetano, uma dificuldade estritamente relacionada a esse mundo é a dificuldade para fechar empresas. “É difícil abrir, mas fechar é muito mais problemático. Estamos falando de uma área onde tudo carrega um risco muito grande de falhar, afinal, estamos testando um negócio”, afirma. Caetano lembra que, nos Estados Unidos, é comum um empreendedor já ter montado duas ou três outras empresas antes de conseguir emplacar uma startup. “Aqui, se o negócio dá errado, a situação se arrasta. Isso pesa contra a nossa dinâmica de velocidade e experimentação.”

Legislação trabalhista incompatível

Caetano lista como outro problema a legislação trabalhista brasileira, que foi pensada para o ‘chão de fábrica’ e dificilmente se adequa em situações diferentes. “Nesse ramo, é normal as empresas organizarem maratonas de programação (conhecidas como hackaton) que duram toda a noite. Isso é impensável na lei atual. Conheço um caso de gente que deixou de fazer um (hackaton) porque um de seus colaboradores ameaçou denunciar os donos”, afirma.

Cultura empreendedora

“Uma coisa que eu percebo trabalhando todos esses anos em incubadoras é que a universidade em si não sabe formar pessoas como empreendedoras, mas para prestar concurso ou ficar na própria academia”, afirma Davi Salles, gerente da Incamp, incubadora de empresas de base tecnológica da Unicamp. “Isso é ruim. Apesar de os próprios alunos estarem capitaneando uma mudança de mentalidade, promovendo encontros e outros eventos sobre o assunto, o que vemos é que ainda falta aos empresários que chegam aqui na incubadora uma cabeça mais voltada ao negócio”.

Dificuldade em lidar com outras áreas

Um exemplo de como a ausência desse ‘modelo mental empreendedor’ faz falta é a dificuldade de certos empreendedores em conseguir lidar com outras áreas da empresa, como a contratação de pessoal e a parte financeira. “99% dos negócios falham por problemas de gestão. Conheço gente com doutorado que não sabe diferenciar o caixa da empresa de sua própria conta”, afirma.

Encontrar sócios que se complementem

Além disso, o papel do sócio pode ser confuso para alguns. “Não ter sócios nos estágios iniciais da empresa é algo muito difícil. Primeiro que você dificilmente vai ter competências em todas as áreas do negócio. Segundo que não vai ter tempo de cuidar sozinho do desenvolvimento do produto, da pesquisa de mercado, da administração e do marketing. O cara espana”, afirma Davi Salles.

SERVIÇO

Feira do Empreendedor

Local: Expo Center Norte – Pavilhão Verde, São Paulo

Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme

Data: de 22 a 25 de fevereiro

Sábado e domingo: 10h às 21h

Segunda e terça-feira: 13h às 21h

Entrada franca

Inscrições no site: www.feiradoempreendedor.sebraesp.com.br

Fonte: O Estado de S. Paulo

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