Como cidadãos podem usar a internet para influenciar prefeitos e vereadores

Os novos prefeitos e vereadores tomam posse no início de janeiro. Diante de tantos problemas, a quais eles deveriam se dedicar primeiro? Nas últimas semanas, milhares de cidadãos vêm tentando influenciar essa decisão em seis capitais brasileiras, por meio de um site colaborativo dedicado à gestão pública, o Colab.re. O resultado prévio, obtido com 5 mil participantes, oferece uma visão sofisticada dos anseios do eleitor.

O interessado pode entrar na página de cada cidade e indicar o que considera prioridade, entre os projetos prometidos pelo respectivo prefeito eleito quando ele estava em campanha. As propostas se dividem por temas como mobilidade urbana, educação, habitação, saúde, lazer e cultura. Pelos resultados até agora, para 49% dos eleitores participantes de Fortaleza, a recuperação de praças deveria ser a principal aposta do governo no quesito lazer. Em Belo Horizonte, a regularização de ocupações é mais importante para a população do que o aluguel social, quando o tema é habitação (45% contra 29%). Em Maceió, a informatização e o acesso à internet no sistema de saúde surgem como medidas mais urgentes do que a ampliação do atendimento (51% contra 17%). Em São Paulo, incentivar o uso de transporte público e os deslocamentos a pé são mais importantes do que aumentar o limite de velocidade nas marginais (30% contra 12%). Em Porto Alegre e no Rio de Janeiro, no tema educação, os eleitores acreditam que os prefeitos têm de apostar em escolas em tempo integral (44% e 37%, respectivamente).

Desde as eleições de 2014, o aumento do uso de aplicativos e redes sociais que ligam eleitores a candidatos ajudam a transformar a participação política. O Colab.re funciona como uma rede social em que o cidadão pode informar à prefeitura sobre problemas com serviços públicos, como buracos nas vias e quedas de energia elétrica, além de fazer elogios e propor mudanças. Lançada em 2013, a rede tem hoje 150 mil usuários e 90 entidades públicas cadastradas.

Com apenas um cadastro, iniciativas como a Meu Rio, Minha Sampa, Minha Porto Alegre e Meu Recife oferecem a qualquer cidadão a possibilidade de criar uma mobilização. As equipes dos sites auxiliam para que as petições tenham apoio estratégico e metodologia. No Rio de Janeiro, a mobilização “Escola não se destrói!” impediu que a Escola Municipal Friedenreich fosse transformada em um estacionamento. A rede conseguiu a criação de uma delegacia de desaparecidos e obteve autorização para o transporte de bicicletas nos vagões do metrô.

Conheça algumas outras ferramentas populares:

MeRepresenta
Mais de 150 mil eleitores usaram o site, criado a partir de financiamento coletivo, para escolher os candidatos nas eleições de 2016. O MeRepresenta é uma parceria entre coletivos e organizações com foco em direitos humanos. Do outro lado, políticos de cerca de 250 municípios também se cadastram no site para assumir compromissos ligados a sexualidade, igualdade racial e de gênero em suas gestões.

Cidade 50-50
Dedicado à igualdade de gênero, o site, uma parceria entre a ONU Mulheres, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Instituto Patrícia Galvão (IPG) e Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades da Universidade de Brasília (Demode/UnB) convida candidatos a se cadastrar para assumir políticas públicas municipais para a promoção da igualdade de gênero. Os eleitores podem buscar quais candidatos se comprometeram com a iniciativa e monitorar suas gestões nesse quesito.

Mais que Voto
Focado na transparência das doações financeiras a campanhas, o Mais que Voto permite que os usuários fiscalizem os candidatos e que os políticos possam gerir os recursos de suas campanhas. Eleitores podem doar recursos e contribuir com ideias.

Movimento Ficha Limpa
Com uma busca simples em um mapa do Brasil, é possível averiguar se determinado político está envolvido em algum esquema de corrupção. O projeto ganhou forma depois das manifestações de 2013 e teve um papel importante nas eleições de 2014.

Orçamento participativo no celular
O orçamento participativo tradicional, por meio de assembleias presenciais para definir o uso da verba pública, é uma ferramenta moderna e democrática de administração pública. A tecnologia fez com que ela ganhasse uma versão digital. O município de Santos (SP) colocou um aplicativo de celular à disposição dos cidadãos, no primeiro semestre de 2016, para que eles ajudassem a prefeitura a decidir como usar o dinheiro. O período de votação foi de 13 de abril a 17 de junho. Atualmente, os governos do Maranhão e do município de Caruaru (PE) têm aplicativos à disposição na loja virtual Android.

Fonte: “Época”.

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