Quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
Mantenedores mantenedores

Como construir negócios duradouros?

Cada vez mais pessoas estão criando novos negócios. Esse fenômeno tem se espalhado pelo mundo todo. Só no Brasil, de acordo com uma pesquisa feita pelo Global Entrepreneurship Monitor, 34% dos adultos têm uma empresa ou estão envolvidos na criação de um novo negócio. Há 10 anos esse cenário era bem diferente — apenas 23%. Mas existe uma questão comum à maioria desses empreendimentos: como durar?

Martin Reeves, sócio do Instituto BCG Henderson, especialista em pesquisa de ideias para negócios, acredita que o melhor caminho está na nossa própria biologia.

Em uma paletra do TED, ele explica que, atualmente, um dos principais problemas das empresas é que estão “morrendo” muito cedo. A probabilidade de um negócio não durar mais de cinco anos é de 32%. Assim, ele analisa os sistemas biológicos para responder uma única pergunta: o que fazem eles serem duradouros e resilientes? E a resposta está no nosso sistema imunológico.

De acordo com Reeves, as seis principais funções dele podem ser aplicadas nos negócios para aumentar sua durabilidade. São elas:

– Redundância: o nosso organismo cria vários tipos de células antes de realmente precisar, assim se protege contra o imprevisto.

– Diversidade: a produção de vários tipos de células diversifica o sistema, criando a possibilidade de se defender contra quase tudo.

– Design modular: a organização é feita de forma que, se um sistema falhe, outro consiga realizar a função.

– Poder de adaptação: o sistema consegue criar formas de se proteger de ameaças que nunca nem conheceu.

– Prudência: detecta e remove cada ameaça, além de lembrar de ameaças antigas.

– Enraizamento: o sistema não é isolado, está conectado com todos os outros sistemas do corpo humano.

Martin Reeves descobriu que essas características estavam presentes em negócios que tinham mais resistência — diferentemente das que duravam menos. Uma delas é a Fuji Film. Mesmo com as mudanças tecnológicas, a Fuji conseguiu se manter no mercado. O mesmo não valeu para a rival Kodak. Por quê? De acordo com Reeves, porque se adaptou, diversificou-se e teve prudência.

A empresa começou a investir em vários setores, como em cosméticos, biomateriais e em produtos farmacêuticos. Alguns falharam, outros deram certo, mas o CEO da empresa disse que a grande diferença é que eles “têm mais bolsos e gavetas que os concorrentes”.

Outro exemplo que Reeves oferece é o incêndio que atingiu a produção da única fornecedora de válvulas para freios da Toyota. A destruição foi enorme, mas a empresa conseguiu se recuperar em apenas cinco dias. Esse curto período só foi possível porque tinha uma dinâmica colaborativa com os fornecedores, assim demostrou que tinha um sistema modular, enraizamento e redundância.

A grande maioria das empresas não adotaria esse modelo. Martin Reeves explica que, se um produto fosse vendido com essas seis características, muitos classificariam como “ineficiente e complexo”, e ele concorda. Entretanto, a eficiência é boa apenas no curto prazo.

O motivo disso é que a forma de pensar um novo empreendimento é ainda muito mecânica e prática, sem levar em conta a dinâmica e a imprevisibilidade que traz a globalização. Você coloca objetivos, analisa problemas, constrói planos e aplica a eficiência no curto prazo.

Para Reeves, temos que adicionar o pensamento biológico ao mecânico. Em vez de controlar situações complexas, temos de pensar como e quando podemos moldá-las. A diferença entre essas duas formas é a mesma que jogar um bola – que vai apenas em uma direção – e soltar um pássaro – que é imprevisível.

Fonte: “Época negócios”.

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