Uma carioca de 25 anos se tornou a primeira brasileira a ser chamada para estagiar no Instituto do Google em Paris ao criar desenhos que representam o movimento de dançarinos de vários estilos de música em um trabalho de conclusão de curso da PUC-Rio, batizado de MoV_.

“O processo de seleção para o Google aconteceu sem querer. Na verdade, estava muito triste, pois havia passado com bolsa para uma das melhores faculdades de design do mundo, mas por causa do preço não pude ir”, contou Laís Tavares à Marie Claire.

A carioca, então, foi aconselhada por uma professora a mostrar seu portifólio ao 89Plus, um programa de pesquisa sobre a geração nascida a partir de 1989 que foi criado por Hans Ulrich Obrist, um dos curadores de arte mais famosos do mundo, e Simon Castets. O programa é o responsável pela seleção dos estagiários.

“Depois de 15 dias, me contataram para uma conversa e me chamaram para ir desenvolver um projeto no Google Cultural Institute em Paris, onde desenvolvi um outro projeto, também baseado em movimentos, chamado About Gesture”. Mais de 5 mil pessoas se candidataram à vaga.

Na França, Laís filmou entrevistas com jovens entre 21 e 35 anos de idade e de diferentes nacionalidades com uma câmera HD. A partir das imagens, mapeou os gestos que as pessoas usavam para expressar cada sentimento, tais como tristeza e alegria.

Com a ajuda de engenheiros do Google, a jovem imprimiu, em uma impressora 3D, várias miniesculturas baseadas nos desenhos.

Foram dois meses e meio para concluir o trabalho, que foi exposto na galeria Empire, em Paris. De volta ao Brasil, Laís pretende aumentar o tamanho das esculturas.

Trabalho de graduação

A artista foi uma das três pessoas selecionadas por Obrist para estagiar na França entre os meses de maio e julho. O convite veio depois de a carioca ser listada como autora de um dos 80 melhores trabalhos de graduação do mundo nas áreas de arquitetura, design e arte, com o MoV_.

“O projeto começou com uma pesquisa intensa sobre o universo das danças urbanas e sobre o contexto em que vivemos de tecnologia”, disse. “A partir disso, comecei com o desenvolvimento das peças e dos conceitos estéticos.”

A parte principal do design ficou a cargo dos próprios dançarinos, conforme descreveu a carioca. “O meu projeto de final de curso veio de uma necessidade de me retirar do meu próprio processo de fazer… Eu queria introduzir agentes externos que tirassem de mim o ‘poder’ de construir as formas principais do projeto.”

Os desenhos criados por Laís foram expostos na Bienal de Design do Rio e tiveram como foco as minorias: gays latinos e negros. “Eu não os escolhi, elas estão na história da dança urbana”.

Atualmente no Brasil, a jovem trabalha como designer gráfica, mas se mantém desenvolvendo outros projetos com o mesmo viés artístico.

“Num futuro próximo pretendo me inscrever em um mestrado, provavelmente fora do Brasil. Os mestrados aqui são teoricos e eu busco algo prático.” concluiu.

Fonte: Marie Claire.

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