Quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
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Confiança do brasileiro cai na maioria das instituições

A confiança da população na maioria das instituições caiu entre 2014 e 2015. A constatação foi feita pelo Índice de Confiança na Justiça (ICJBrasil), mensurado pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (Direito SP).

A instituição que teve a queda mais acentuada em sua confiança foi o governo federal. No final de 2014, 29% dos respondentes afirmaram confiar no governo, percentual que caiu para 11% no final de 2015. Em seguida, aparece o Ministério Público, cuja confiança passou de 49% para 39% em um ano; e o Congresso Nacional, cuja confiança caiu de 18% para 12% no mesmo período.

Entre outras instituições que tiveram queda em sua confiança, vale mencionar as Forças Armadas, que continua sendo a instituição mais confiável. Porém, sua confiança caiu de 67% para 61%. A confiança na igreja católica passou de 58% para 57%; nas grandes empresas, de 41% para 39%; e a confiança nos partidos políticos, de 7% para 6%.

Apenas o Judiciário e a imprensa escrita apresentaram uma pequena alta. A confiança no Judiciário passou de 30% para 32% e de 42% para 43%, na imprensa escrita. Mantiveram-se na mesma posição as emissoras de TV, com 32% da confiança da população, e a polícia, com 35% da confiança.

Em 2015, houve uma novidade: o ICJBrasil incluiu perguntas sobre a confiança do brasileiro nos Sindicatos e nas Redes Sociais. O levantamento mostra que as redes sociais estão praticamente no mesmo patamar de confiança da imprensa escrita e ambas desfrutam de confiança superior que nas emissoras de TV, considerando as instituições de mídia analisadas pelo ICJBrasil.

Segundo Luciana de Oliveira Ramos, pesquisadora do ICJBrasil, os dados mostram uma queda na percepção positiva geral do brasileiro em relação ao funcionamento das instituições. “A queda da confiança no Governo Federal relaciona-se diretamente à queda de popularidade do governo Dilma, mas é de se notar que mesmo instituições fortes, como as Forças Armadas, também estão passando por esse processo de descrédito”, afirmou.

Segundo Luciana, o aumento da confiança no Judiciário, no período, pode ser atribuído ao aumento da exposição do juiz Sérgio Moro na mídia e às descobertas da operação Lava Jato.

Seguindo a tendência dos anos anteriores, os entrevistados consideram que o Judiciário presta um serviço público lento, caro e difícil de utilizar. Para 86% dos entrevistados, o Judiciário resolve os conflitos de forma lenta ou muito lentamente, 79% disseram que os custos para acessar o Judiciário são altos ou muito altos e 69% dos entrevistados acreditam que o Judiciário é difícil ou muito difícil para utilizar. Outro problema apontado pelos entrevistados é a falta de honestidade. Em 2014, 64% consideravam o Judiciário nada ou pouco honesto; em 2015, esse percentual aumentou para 70%.

Sobre o ICJBrasil

No segundo semestre de 2015, o ICJBrasil foi de 4,5 pontos, em uma escala de 0 a 10, inferior ao registrado no mesmo período de 2014, quando alcançou 4,6 pontos na mesma escala.

O ICJBrasil é calculado a partir de dois subíndices. O de comportamento, que avalia, por meio de seis situações hipotéticas, se os entrevistados recorreriam ou não ao Judiciário para solucionar um conflito. Nesse aspecto, o subíndice de Comportamento foi de 8,2 pontos, em uma escala de 0 a 10.

Já o subíndice de Percepção é produzido a partir de um conjunto de oito perguntas que refletem a opinião do entrevistado sobre o Judiciário no que se refere à confiança, rapidez na solução de conflitos, custos de acesso, facilidade no acesso, independência política, honestidade, capacidade para solução de conflitos e panorama dos últimos cinco anos. O subíndice de Percepção foi de 2,9 pontos, inferior ao registrado em 2014, quando alcançou 3,1 pontos em uma escala de 0 a 10.

O ICJBrasil é apurado a partir da aplicação de um questionário, a cada trimestre, em oito diferentes unidades da federação, nas regiões metropolitanas e no seu interior, com cidadãos maiores de 18, que compõem uma amostra construída com base em variáveis como sexo, rendimento mensal domiciliar, escolaridade, faixa etária e condição socioeconômica. Durante o segundo semestre de 2015, foram entrevistadas 3.300 pessoas nos estados do Amazonas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal.

Para acessar o relatório completo, acesse aqui.

Fonte: “FGV Notícias”.

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