Cortes no Orçamento vão afetar investimentos

Tesourada, de cerca de R$ 70 bi, afetará PAC e Minha Casa Minha Vida

Os cortes no Orçamento que o governo anunciará amanhã devem ficar um pouco acima dos R$ 70 bilhões e atingirão praticamente todas as áreas do governo. Afetarão os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Minha Casa Minha Vida, despesas na área social e o custeio da máquina pública.

A equipe econômica trabalha na versão final do contingenciamento, mas algumas áreas já foram alertadas de que serão fortemente atingidas. No Ministério da Defesa, espera-se que a redução chegue a 40% das despesas de custeio e investimentos. Em relação ao Minha Casa, o maior corte deve ser na faixa 1, que financia imóveis a famílias com renda até R$ 1,6 mil, hoje totalmente subsidiadas com verba federal.

Forças armadas afetadas

Segundo um interlocutor, diante do comportamento incerto das receitas com impostos e contribuições federais, o governo será conservador. O corte representa mais de 30% do total das despesas discricionárias do Orçamento, ou seja, gastos não obrigatórios.

As emendas parlamentares individuais serão cortadas em proporção equivalente aos demais cortes no Orçamento da União — até porque a lei não permite que seja maior. Já as emendas coletivas (de bancada e comissão) serão totalmente congeladas.

Para se adequar ao contingenciamento, as Forças Armadas negociarão contratos e prazos. Segundo uma fonte, os projetos estratégicos não serão totalmente paralisados, mas haverá forte redução no ritmo dos investimentos.

Nos próximos meses, o aperto fiscal poderá ser acentuado, a partir da reavaliação bimestral de receitas e despesas determinada pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Do lado das despesas, há muita insegurança em relação ao resultado do ajuste que depende do Congresso, já que as votações das Medidas Provisórias 664 e 665 (que restringem o acesso ao seguro-desemprego e abono e mudam as regras das pensões) não foram concluídas e foram alteradas.

Votação de MPS preocupa

Com as mudanças aprovadas pela Câmara no texto original das duas MPs, a economia estimada em R$ 18 bilhões caiu para R$ 14,5 bilhões. Além disso, o projeto que aumentou contribuição previdenciária das empresas e anulou a desoneração da folha de salários só deverá ser votado em junho.

Nesta quarta-feira, surgiu novo fator de pressão sobre os gastos: o aumento de salários do Judiciário, aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado; se confirmado pelo Congresso, entrará em vigor este ano.

Do lado das receitas, a equipe conta com o reforço da venda de ativos como concessões, leilão da folha de pagamento e abertura de capital da Caixa Seguradora, que deve render retorno em impostos e dividendos. Segundo estimativas dos técnico, a expectativa de arrecadação com ativos beira os R$ 20 bilhões.

Fonte: O Globo

RELACIONADOS

Deixe um comentário