Sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
Mantenedores mantenedores

Cresce em 52% total de desempregados

O contingente de desempregados na seis maiores regiões metropolitanas do país (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre) cresceu 52,1% em um ano e chegou a 1,857 milhão de pessoas em agosto, 636 mil a mais do que em igual mês de 2014. Com isso, a taxa média de desemprego saltou de 5% em agosto do ano passado para 7,6% agora e passou a castigar mais os trabalhadores que têm entre 25 e 49 anos, grupo que concentra a maioria dos chefes de família. O segmento dos chamados trabalhadores adultos foi o que teve maior alta de desemprego, 65%, e respondeu por 52,8% do total de desempregados, ou 981 mil pessoas, revela a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE.

– Um adulto que tem um filho e perde o emprego, pode arrastar esse filho para o mercado de trabalho, fazendo ainda mais pressão. Vide a taxa de desemprego entre os jovens (18 a 24 anos) também ter crescido consideravelmente (alta de 39,5% em um ano até agosto) – explica Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Segundo Azeredo, a população desocupada adulta é formada principalmente por pessoas que estão procurando uma vaga, porque foram demitidas e precisam se reinserir no mercado. Do total de desempregados que entraram para as estatísticas, mais de dois terços tinham trabalho há um ano. A população população ocupada diminuiu em 415 mil pessoas – retração de 1,8% – em relação a agosto do ano passado.

No mesmo período, o número dos que não estavam trabalhando nem procurando vaga, mas entraram para mercado e ajudaram a pressionar o desemprego também cresceu, mas em volume menor: 221 mil pessoas ou 0,9%. É neste grupo que estão a maioria dos jovens, que foram os primeiros afetados pela piora do mercado de trabalho. Antes mesmo do movimento de demissões ganhar força, os jovens passaram a procurar emprego para compensar a queda da renda da família. Historicamente, o desemprego é sempre maior entre os jovens, mas junho, por exemplo, foi nesse grupo que a taxa mais cresceu, passando de 12,3% em 2014 para 17,1% em este ano. Passados dois meses, a alta continua forte, 39,5%, mas já está menor do que a registrada entre os adultos.

Rendimento médio real caiu

Na comparação com os 7,5% de julho, o desemprego de agosto ficou praticamente estável, mas foi a oitava alta seguida neste ano, que tem registrado patamares elevados de desocupação. Na série histórica porém, é o pior resultado para o mês desde 2009, ápice da crise financeira global, quando ficou em 8,1%.

– Quando o novo ministro da Fazenda anunciou que teríamos um ano sem crescimento, o mercado ajustou sua força de trabalho a uma economia que teria queda na produção, e ela está sendo mais forte do que o esperado – diz João Saboia, professor do Instituto de Economia da UFRJ.

Junto com as vagas, os salários e a formalização também diminuíram. Segundo o IBGE, o rendimento médio real (corrigido pela inflação) dos trabalhadores no mês passado, foi de R$ R$ 2.174,49, valor 3,5% menor do que de agosto do ano passado e 0,5% maior em relação ao mês anterior. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (11,3 milhões) também na comparação com 2014.São 445 mil pessoas ou 3,8% menos do que há um ano.

– O desemprego e o aumento da taxa de desemprego são consequências do ambiente de recessão. A indústria reduz a produção, vende menos e não tem como manter todos os seus funcionários, que acabam sendo despedidos e, ao perderem poder de compra, consomem menos, contribuindo para esse ciclo vicioso – acrescenta o economista Fernando de Holanda Barbosa, professor da Escola Brasileira de Economia e Finanças da FGV.

Para Fábio Romão, da LCA Consultores, a taxa média de desemprego do deste ano deve ficar em 7%, contra 4,8% da média de 2014. Para setembro, o economista projeta nova alta, para 7,7%. Segundo Romão, o desemprego deve continuar subindo até o fim do ano, mas em ritmo menos acelerado.

– As pessoas vão continuar tentando se recolocar no mercado, mas há quem entende que o fim do ano não é um momento propício para conseguir emprego, porque historicamente as empresas reduzem as contratações -diz.

Fonte: O Globo.

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