Crise: escolas técnicas estaduais do Rio procuram voluntários

Com salários de funcionários atrasados e sem recursos para a manutenção, a Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) está buscando voluntários para manter o funcionamento de suas unidades de ensino. Vinculado à Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia, o órgão tem cerca de 300 mil alunos matriculados em 130 instituições, que oferecem cursos de nível médio, superior e profissionalizante.

No dia 17, o presidente da Faetec, Miguel Badenes Prades Filho, publicou uma portaria no Diário Oficial autorizando a atuação de voluntários nos setores administrativos da fundação. As atividades pedagógicas só podem ser prestadas por servidores. Os interessados deverão assinar um termo de adesão e não receberão qualquer ajuda de custo.

Segundo a direção, a Faetec só tem contrato com uma empresa terceirizada, que há três meses não paga seus funcionários. No ano passado, devido a uma greve, os alunos ficaram quatro meses fora das salas de aula. O segundo semestre de 2016, por exemplo, só começará dia 20 de fevereiro. O primeiro semestre de 2017 deve ter início em abril.

Retorno das aulas é dúvida
O vigia Francisco de Paula, de 60 anos, começou a trabalhar há cinco no Instituto Superior de Educação, na Praça da Bandeira, vinculado à Faetec. Ele foi contratado por uma empresa terceirizada, que abandonou o serviço porque não recebia do estado.

— Estou há um ano e um mês sem receber. Só venho porque me sinto útil — disse o vigia.

O cenário não é muito diferente entre os servidores. Professores e técnicos começaram a receber nesta quinta-feira o salário de dezembro, parcelado. Eles não sabem quando o 13º será depositado.

A situação crítica levou à mobilização da equipe. Maurício Rodrigues, professor de uma unidade de Niterói, está a frente da página “ReAÇÃO Faetec”. Ele diz que a situação da instituição e de seus funcionários foi denunciada à Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ e à Secretária de Ciência e Tecnologia. Rodrigues também chama a atenção para um possível atraso na chegada de novos alunos à instituição, pois o edital para o ingresso deste ano ainda não está pronto. Segundo a assessoria da Faetec, falta escolher a empresa que fará o concurso para as cinco mil vagas.

— Tenho dúvidas, não sei se vamos conseguir voltar no dia 20. A situação atual, infelizmente, aponta que não — lamenta Rodrigues.

Fonte: “O Globo”.

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