Crise pode fazer Rio retroceder em ranking de melhores estados

Segundo Macroplan, melhora na segurança ajudou estado a melhorar nota na última década

O Rio de Janeiro corre o risco de desperdiçar avanços sociais e econômicos da última década, segundo estudo elaborado pela consultoria Macroplan. De acordo o Índice dos Desafios da Gestão Estadual (IDGE), a nota fluminense passou de 0,596 para 0,752 entre 2005 e 2015 — em uma escala que vai se 0 a 1. O movimento foi possível graças a avanços em áreas como segurança pública e desenvolvimento econômico, hoje ameaçadas. De acordo com o levantamento, o estado está em 6º no ranking de 27 unidades da federação — uma colocação a mais que em 2005.

O maior salto do estado foi registrado justamente na área de segurança pública — cuja crise já se reflete na economia da região. Em 2005, o estado amargava a 22ª posição no ranking, com nota 0,576. Em 2014, saltou para o 8º lugar, com índice de 0,707 e, em 2015, alcançou a 3ª colocação, com o indicador em 0,813. Mas os dados preliminares de 2016 e 2017 já mostram que houve retrocesso, afirma Gustavo Morelli, diretor da Macroplan e responsável pelo estudo.

— O maior avanço do Rio na década foi no setor de segurança (segundo o IDGE). E a segurança é onde a gente vai piorar nos próximos anos. Os números de 2016 e 2017 já mostram isso. O cenário ficou mais adverso. Vai se encerrando esse ciclo, e as crises econômica e política em conjunto trazem impacto sobre a situação do estado — afirma o especialista.

OPORTUNIDADE PERDIDA

Além do retrocesso previsto para as próximas áreas, o Rio já mostra indicadores piores que a média em outros aspectos. No ranking das 27 unidades da federação, o estado figura como 24º com maior desigualdade de renda, 25º com maior taxa de desemprego e 26º com maior congestionamento da Justiça, aponta o levantamento. Em contrapartida, o Rio vai bem em indicadores de educação, com a segunda menor taxa de analfabetismo e a segunda maior taxa de escolaridade da população adulta, destaca a Macroplan.

Morelli avalia ainda que o Rio aproveitou pouco as oportunidades da última década, a despeito de fatores favoráveis como a descoberta do pré-sal, preços de petróleo em alta e os investimentos para a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

— Entre 2005 e 2015, a variação de índice do Rio é a 11ª maior, que é mais ou menos no meio. Mesmo nesta década de oportunidades muito grandes, nosso desempenho ficou mais ou menos próximo da média do Brasil. Ser o 11º de 27 estados não é nada extraordinário — afirma Morelli.

Considerando todos os estados, o levantamento identifica avanços significativos na última década, mas há um retrocesso na passagem entre 2014 e 2015. A avaliação da Macroplan é que o período entre 2015 e 2018 será de perdas.

VEJA O RANKING COMPLETO

O levantamento abrange 28 indicadores, agrupados em nove áreas: educação, saúde, segurança, juventude, infraestrutura, desenvolvimento econômico, desenvolvimento social, condições de vida e institucional. No ranking geral de 2015, São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal ocupam as primeiras posições. Piauí, Alagoas e Maranhão estão na lanterna da lista. Veja o ranking completo:

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Fonte: “O Globo”

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