Pela primeira vez, em 50 anos, Cuba recebe canal de televisão estrangeiro

A emissora Venezuela “Telesur” começou a ser transmitida legalmente no último domingo em Cuba. Segundo o jornal “O Globo”, a Telesur terá 13 horas e 30 minutos diários de programação ao vivo na Ilha. Esta é a primeira vez que um canal estrangeiro é televisionado no país, cujo governo sempre exerceu um rígido controle dos meios de comunicação.

O controle estatal, no entanto, não é muito eficaz. “O Globo” noticiou que milhares de antenas clandestinas vindas dos Estados Unidos abastecem os cubanos com os últimos filmes, novelas, séries e programas de esportes. A transmissão pirata tem valor mensal fixo e transmite canais de Miami, segundo o site “Noticias24”.

A proximidade do governo cubano com a Venezuela tem sido destaque dos noticiários internacionais desde que Hugo Chávez iniciou seu tratamento contra um câncer, em Cuba. As informações sobre o estado de saúde do líder bolivariano são escassas já que, segundo o sociólogo Demétrio Magnoli, “Chávez está sob os cuidados e o controle da ditadura cubana, que gerencia segundo seus critérios as informações sobre a saúde do paciente.” Magnoli acredita que o presidente venezuelano “iludiu o povo ao apresentar sua candidatura à reeleição garantindo, mentirosamente, estar curado de um câncer cujas características jamais foram expostas aos eleitores”.

A dissidente cubana Yoani Sánchez, no artigo “O relógio da ditadura em Cuba se aproxima da meia-noite“, acredita que a possível morte de Hugo Chávez enfraqueça o regime na ilha dos irmãos Castro, que já sinaliza flexibilizações no campo da economia. “As reformas econômicas levadas a cabo por Raúl Castro também influenciarão na diminuição do controle sobre a população. Ampliação do setor privado, cobrança de impostos e autorização para a criação de cooperativas não agropecuárias são algumas das medidas que farão o peso do Estado se reduzir no dia a dia dos cubanos”, comenta Yoáni, que, no entanto, lembra a força do comunismo em Cuba: “O regime é hábil em sobreviver diante dos prognósticos mais desfavoráveis”.

 

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