Davos: Brasil e emergentes vivem ‘crise de meia-idade’

O Fórum Econômico Mundial, que na semana que vem realiza sua conferência anual em Davos, confirma a presença da presidente Dilma Rousseff no evento neste ano. A presidente terá uma sessão dedicada exclusivamente a ela. Mas o Fórum alerta que os países emergentes vivem uma “crise de meia- idade” e que estão descobrindo que fazer as economias crescer a partir de agora pode ser mais difícil do que imaginavam.

Dilma havia recusado em diversas ocasiões a participação em Davos. Neste ano, a confirmação de sua viagem ocorreu apenas no último momento. A presidente irá discursar na sexta-feira.

Além dela, a delegação brasileira terá o presidente do BC Alexandre Tombini, Luciano Coutinho, Guido Mantega, Fernando Pimentel e o chanceler Luiz Alberto Figueiredo Machado.

Klaus Schwab, presidente do Fórum, alerta que os emergentes terão um período de incertezas a partir de agora, depois de anos de forte taxas de crescimento. “Há sinais de uma crise de meia-idade”, disse.

“Eles (emergentes) estão se dando conta que é fácil crescer a uma taxa de 10% se tem um PIB per capita de US$ 1 mil. Mas é outra coisa crescer quando o PIB já é de US$ 10 mil”, alertou Schwab.

Schwab apontou que espera escutar de Dilma que tipo de reformas ela pode adotar e “como superar a crise de meia-idade”. “A presença da presidente é um grande sinal da confiança que ela tem na comunidade empresarial. O Brasil tem todos os ingredientes para superar essa crise de meia-idade”.

Crescimento

A previsão de Davos é de que a economia mundial terá cinco a dez anos de baixo crescimento. “Mesmo que sairmos da crise, não voltaremos para a taxa de crescimento de antes da crise”, alertou Schwab.

O impacto na redução da pobreza poderá ser profundo. Um crescimento do PIB de apenas 3% ao ano significa que um País dobraria o tamanho de sua economia em apenas 25 anos.

Schwab também alerta para o fato de a economia mundial estar convivendo com “inúmeras incertezas”. Não se sabe ainda como ocorrerá a recuperação na Europa, EUA e Japão. “Conhecemos os problemas, mas não necessariamente as soluções”, disse.

O fundador de Davos classifica o cenário internacional como sendo de um “otimismo cauteloso”, mas com “expectativas reduzidas”. “É como correr com uma mala nas costas”, insistiu. “Temos de apertar o botão para reiniciar a economia mundial”, defendeu.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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