Desemprego sobe no primeiro mês do novo governo

Desemprego sobe para 5,3% em janeiro, maior taxa desde setembro de 2013. Em dezembro, taxa havia sido de 4,3%. Renda média subiu 0,4%, para R$ 2.168,80

O desemprego subiu no primeiro mês do novo governo Dilma: a taxa foi de 5,3% em janeiro na média de seis regiões metropolitanas do país (Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre) acompanhadas pela Pesquisa Mensal do Emprego (PME) do IBGE. A taxa é a maior desde setembro de 2013, quando o percentual de desocupados foi de 5,4%. O desemprego avançou na comparação com os 4,8% registrados em janeiro do ano passado, e subiu 1 ponto percentual em relação aos 4,3% apurados em dezembro de 2014.

A taxa veio acima do esperado pelo mercado financeiro. Economistas ouvidos pela Bloomberg News esperavam que a taxa ficasse em 5% em janeiro, com projeções entre 4,5% e 5,6%.

Aumento da procura por emprego influenciou alta

Em janeiro, a população desocupada foi de 1,3 milhão de pessoas, o que representa 237 mil pessoas a mais que em dezembro (22,5%). Na comparação com janeiro de 2014, houve aumento de 10,7%, ou 125 mil pessoas.

Já a população ocupada chegou a 23 milhões, o que representa 220 mil pessoas a menos ou um recuo de 0,9% em relação a dezembro. Frente a janeiro de 2014, ficou estável. Houve ainda uma elevação de 237 mil pessoas no número daqueles em busca de trabalho.

Segundo Adriana Beringuy, técnica do IBGE, os dois movimentos simultâneos — queda das pessoas ocupadas e aumento da procura por emprego — causaram a alta da taxa na passagem entre dezembro e janeiro.

— O que se viu em janeiro foi dispensa dos trabalhadores por algumas atividades e uma maior procura por trabalho, houve os dois processos ao mesmo tempo.

O movimento foi mais expressivo na região metropolitana de São Paulo, que responde por 41% da população ocupada das seis regiões (9,5 milhões das 23 milhões de pessoas) e onde a taxa subiu de 4,4% para 5,7%. Foram 167 mil trabalhadores a menos na população ocupada (-1,7%) frente a dezembro e mais 140 mil pessoas (31,6%) buscando trabalho.

— Vamos continuar observando esses movimentos para avaliar se é só um movimento sazonal ou se vai destoar do que ocorreu em outros anos. O fenômeno de alta da taxa em janeiro já ocorreu em outros anos — disse a técnica do IBGE.

Rendimento registra alta

A massa de rendimento dos trabalhadores caiu 0,4% em relação a dezembro e chegou a R$ 50,7 bilhões. O rendimento média real dos trabalhadores foi de R$ 2.268,80 em janeiro, 0,4% acima do registrado em dezembro (R$ 2.161,20) e 1,7% maior que em janeiro de 2014 (R$ 2.133,09).

O instituto divulgou, pela primeira vez, a renda média estimada por outra pesquisa, a Pnad Contínua, mais abrangente, com dados de todos os estados brasileiros. De acordo com o novo levantamento, a renda média do brasileiro ficou em R$ 1.052 no ano passado.

Menos empregos com carteira

O total de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado caiu 2,1% em janeiro, frente a dezembro, o que significa 253 mil pessoas a menos. O recuo dos trabalhadores formais também ocorreu quando se compara com janeiro de 2014: são 224 mil pessoas a menos ou 1,9% de queda.

Ao mesmo tempo, houve aumento nos trabalhadores por conta própria. A alta foi de 3,3% frente a dezembro – 144 mil pessoas – e de 4,8% em relação a janeiro de 2014 – 207 mil pessoas.

Foi a primeira queda do contingente de trabalhadores com carteira assinada em janeiro, frente a janeiro do ano anterior, em toda a série histórica.

— Houve uma redução significativa do emprego com carteira em janeiro, depois de um ano de 2014 em que o aumento desses trabalhadores ocorria em ritmo inferior que antes — disse Adriana.

O nível de ocupação — que é a proporção de pessoas ocupadas entre as pessoas em idade ativa — recuou de 53,3% em dezembro para 52,8% em janeiro. Em janeiro de 2014, era de 53,7%.

O mercado de trabalho tem mostrado sinais de enfraquecimento na geração de vagas. A menor busca por trabalho, no entanto, tem mantido a taxa de desemprego baixa.

Fonte: O Globo

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