Produzir no país continua mais caro que nos EUA e Alemanha, mas a diferença caiu de 40% para 37% de 2008 a 2012

O chamado Custo Brasil, conceito criado pelos empresários brasileiros para apontar o conjunto de problemas que emperram a economia do país, trouxe um certo alívio no ano de 2012. Produzir em território brasileiro continua mais caro do que em outros países como Alemanha e Estados Unidos, mas uma pesquisa feita pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) aponta que a vantagem dos concorrentes brasileiros ficou ligeiramente menor. Segundo o estudo, o custo do produto feito no Brasil é 37% mais elevado do que nos Estados Unidos e Alemanha. Em 2008, a diferença era de 40%.

Para a Abimaq, o recuo não elimina os problemas de competitividade do país. “De certa maneira é um bom sinal. Mas é muito pouco, isso significa que se o Custo Brasil continuar a cair nesse ritmo, vamos demorar 30 anos para zerá-lo”, afirma Mário Bernadini, diretor de competitividade da Abimaq.

Os dados consideram só a indústria de bens de capital, mas, segundo a pesquisa, são semelhantes para o resto da indústria de transformação. Para mostrar a diferença de custo, a Abimaq calculou o peso de oito itens (veja gráfico) sobre a receita líquida de vendas.

A queda do custo industrial pode ser explicada basicamente por uma combinação entre desoneração da folha de pagamento e desvalorização do real, segundo Bernadini. A primeira permitiu que os encargos salariais, antes 3% mais caros que no exterior, reduzissem a diferença para 0,95%.

Já a queda do real ante o dólar trouxe vantagens competitivas e explica o peso menor dos insumos dentro da estrutura de custos do setor. Os insumos básicos – que representam a maior disparidade de custo entre produzir aqui e lá fora – eram 24% mais salgados em 2008. No ano passado, a disparidade encolheu para 20,4%.

“Quando você vai comparar o preço interno ao internacional usando o câmbio, os números de matéria-prima melhoram um pouco”, diz Bernadini.

Vale a ressalva que a pesquisa considera a cotação do dólar no segundo semestre do ano passado, em torno de R$ 2. Assim, com o dólar hoje na casa de R$ 2,30 e R$ 2,40, é razoável supor que os insumos estão com um peso ainda menor.

Na avaliação de Bernadini, o governo deveria retirar impostos de insumos que não são produzidos no país, como o coque, para estimular a indústria nacional. “O Brasil não está usando o imposto de importação para estimular a competitividade da cadeia produtiva”, diz.

O impacto dos juros sob capital de giro, o segundo custo mais relevante para o setor, variou pouco no período. Em 2012, era 6,51% mais caro, contra 6,55% quatro anos antes.

No período, porém, alguns preços para a indústria também aumentaram. É o caso da logística, que dobrou seu peso na estrutura de custos – de 1,6% passou a ser 3,2% superior que nos EUA e na Alemanha.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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