Rombo da Previdência Social cresceu 38% em junho

O déficit da Previdência Social cresceu 38,1% em junho na comparação com o mesmo mês do ano passado. As despesas do INSS com o pagamento de benefícios superaram o volume arrecadado com contribuições em R$ 2,8 bilhões. O crescimento das receitas sofreu forte desaceleração, reflexo do esfriamento da economia, passando de um ritmo médio de 9%, no início do ano, para 5,1% no fechamento do primeiro semestre.

“Não dá ainda para avaliar se foi um fenômeno específico do mês ou se é uma tendência, mas o crescimento ainda assim foi substancial, muito acima do Produto Interno Bruto (PIB) e da inflação. Foi um crescimento considerável”, avaliou o secretário de Políticas de Previdência Social, Leonardo Rolim. Em junho, a arrecadação somou R$ 21,6 bilhões.

O secretário admitiu que a possível perpetuação de uma expansão menor das receitas traz preocupação. Ele enfatizou, porém, que, no acumulado do primeiro semestre do ano, o crescimento da arrecadação foi de 8,7% ante expectativa do governo de um avanço das receitas em torno de 6% em 2012.

Salário mínimo. “Há uns anos não imaginávamos crescimento tão grande como o visto nos primeiros meses de 2012, mas, a partir do momento que vínhamos em um ritmo de 9%, uma expansão de 5% preocupa”, comparou.

“Vamos apenas lembrar que, para qualquer país, exceto a China, um crescimento de 5% é sensacional.” Apesar da perda de fôlego no mês passado, o que mais pesou sobre as contas foi a expansão das despesas beneficiárias, que atingiram o valor de R$ 24,4 bilhões. “As despesas crescem mais este ano por causa do aumento real do salário mínimo, de 7%”, disse.

Para 2012, Rolim manteve a expectativa de um rombo de R$ 39,5 bilhões da Previdência. Se confirmado, esse valor seria próximo dos R$ 36,5 bilhões de 2011, considerando a variação da inflação do período. Ele acredita, porém, ser possível obter um déficit menor, perto de R$ 38 bilhões, por causa do reaquecimento da economia no segundo semestre do ano.

O fenômeno deve fomentar o mercado de trabalho, que, por sua vez, gera mais contribuições previdenciárias. Apenas no primeiro semestre, a conta da Previdência Social já está no vermelho em R$ 20,8 bilhões, praticamente o mesmo nível da primeira metade de 2011.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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