Doutores demais, cérebros de menos.

Na semana passada dei uma entrevista para uma jornalista da Adunb (Ana Carolina Mello) sobre os problemas da formação de doutores do Brasil. Essa entrevista foi publicada em 6 de julho no “Jornal da Ciência“. Vejam alguns trechos abaixo:
“O que está acontecendo no Brasil é uma farsa e uma fraude com dinheiro público. Se fosse algo que pudesse ser resolvido mudando a política, mas não é. Será um dano irreparável”.
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“O crescimento da ciência e da pós-graduação brasileira é uma neoplasia, um tumor e um dia isso vai explodir.”
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Vejam a entrevista na íntegra aqui:  http://migre.me/V3lo
E abaixo um comentário editorial sobre a entrevista.
“A análise do Prof. Marcelo Hermes renova a necessidade de uma revisão da estratégia atual para a PG no Brasil. Nossa pós-graduação (PG) se assemelha a trilhos paralelos bem lubrificados na direção fixa de um objetivo numérico. Como o sistema meritocrático na PG é frouxo e como sempre se pode publicar indexado, bastando empenho e insistência (ver comentário de Svetlov, Nature, 431:897, 2004), nosso pesquisador se vê forçado a cair nos trilhos para sobreviver academicamente.
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Alunos sem motivação real ingressam na PG de olho na bolsa. Há anos Bruce Alberts pregava nos EUA que tudo que se deveria exigir de um cientista lá seria um artigo por ano, mas que deixasse marcas permanentes na ciência. A orientação de nossas agências não favorece este objetivo, na verdade o único que gera conhecimento novo. A maioria de nossos orientadores abandona precocemente a bancada e, se lança na orientação de número excessivo de alunos.
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Toda a cadeia educacional está abalada se considerarmos nossos pífios resultados a partir da educação fundamental e média, culminando com as perspectivas nada animadoras para a formação de mestres e doutores.
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Prof. Francisco G. Nóbrega
UNESP, SJ Campos”
P.S.: A imagem acima é daqui.

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