Terça-feira, 6 de dezembro de 2016
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E-commerce perde R$ 3,6 mil por minuto devido a ladrões virtuais

O gerente de pesquisa de mercado José Tadeu estava interessado em comprar um celular. Coincidentemente, recebeu um e-mail, supostamente do Submarino.com, com uma oferta tentadora: desconto de 30%. Ele não acessou o site pelo link contido no e-mail, preferindo digitar o endereço, e lá estava a oferta. Para não perder a chance, digitou seu login e senha, mas não estranhou quando foi solicitado o número do seu CPF. Ao finalizar a compra, no entanto, recebeu uma mensagem de que o produto estava indisponível. Por azar, era um site falso, e ciberfraudadores tentaram fazer compras com os dados de seu cartão.

Tadeu engrossou a lista de vítimas de golpes aplicados no e-commerce. Em 2015, a cada minuto, R$ 3.610,20 foram registrados em tentativas de fraudes nas compras pela internet, segundo levantamento da ClearSale, empresa especializada em prevenção e detecção de fraude. Isso representa 4,40% de todas as transações em lojas virtuais no Brasil. Em 2014, foram 4,10%.

A região Sul, de acordo com o estudo, teve o menor índice de tentativas de golpe, com 2,5%, enquanto o Sudeste registrou 3,9%, e o Centro-Oeste, 5,7%. A Região Norte teve o maior índice de tentativas de fraude: 7,7%. O Nordeste ficou em segundo lugar, com 7,2%.

No Estado do Rio, o índice de tentativas de fraude foi de 3,8%. Ou seja, a cada R$ 100 em compras no comércio eletrônico, R$ 3,80 referem-se a tentativas de fraude. Em São Paulo, essa proporção é de 4,07%, contra 3,7% em Minas Gerais e 3,4% no Espírito Santo.

— O Mapa da Fraude busca levar ao mercado e à sociedade informações para que pessoas físicas e jurídicas se previnam e não caiam em armadilhas — explica Omar Jarouche, gerente de Inteligência Estatística da ClearSale.

O relatório considera fraude a utilização de dados e cartões de terceiros para adquirir produtos ou serviços sem pagar por eles.

Aumento das fraudes por mobile preocupa

Foi o que aconteceu com Tadeu. Após tentar comprar o celular via internet, ele recebeu alguns dias depois a fatura do cartão, e estava tudo normal. Mas, no mês seguinte, após duas compras que não condiziam com o seu perfil, o banco estranhou:

— Recebi o telefonema do meu banco, perguntando se eu havia feito uma compra de mais de R$ 2 mil em roupas, além de um computador. Imediatamente, cancelaram meus cartões e estornaram o valor gasto.

Especialista em direito do consumidor, o advogado Max Kolbe considera preocupante o aumento crescente de fraudes no e-commerce, o que exige maior investimento em segurança web por parte dos lojistas. Ao analisar o estudo, que usa dados referentes ao período entre janeiro e novembro de 2015, Kolbe ressaltou o crescimento das fraudes nos dispositivos móveis.

Pela primeira vez registrada no estudo, a tentativa de fraude por dispositivos móveis — celulares e tablets — já apresenta níveis significativos, representando 5,6% do total no Brasil. O Norte teve a maior incidência, de 8,6%, e o Sul, a menor, de 3,1%. Em segundo lugar está o Nordeste (7,9%), seguido de Centro-Oeste (6,6%) e Sudeste (5,4%).

— Os consumidores têm adquirido maior experiência nas transações via internet. Todavia, ainda há muita ingenuidade. Desconfiar nunca é demais — diz Kolbe.

O estudante de administração Christian Haleck foi atraído por uma promoção de celular, para o dia das mães, publicada em uma rede social. Como o seu aparelho não estava funcionando bem, ele resolveu se dar de presente o iPhone 6S, anunciado por R$ 2,7 mil. O perfil da loja, a EletronicosPlanet, tinha CNPJ, endereço de Santa Catarina, telefone e mais de 40 mil seguidores, e Haleck depositou o valor na conta indicada. Só que o celular não chegou, e o suposto vendedor sumiu:

— Sempre comprei pela internet. A minha preocupação sempre foi ver se tinha CNPJ e conversar com o vendedor para ver se passava confiança. No entanto, não é o suficiente. Acho que eu queria tanto o celular que fui precipitado. O vendedor sempre me respondia por mensagem, atendia o telefone, até eu mandar o comprovante de pagamento e ele sumir.

Na delegacia, onde registrou a ocorrência, Haleck descobriu que pelo menos mais três pessoas do Rio foram vítimas do golpista. Um usuário do Instagram que denuncia golpes pela rede alerta sobre a loja, cujo perfil não está mais no ar.

Tanto Tadeu como Haleck caíram no conto do celular. Segundo a pesquisa da ClearSale, em nível nacional, os segmentos mais procurados são os de videogames e telefonia celular, com 11% e 10,1%, respectivamente. Depois vêm acessórios (6,2%), artigos esportivos (5,7%) e eletrônicos (5,5%). No caso das fraudes por dispositivos móveis, os segmentos mais procurados foram games (11,5%), celular (9,6%), eletrônicos (7,3%), informática (4,9%) e acessórios (4%).

— Os segmentos mais procurados são os que têm maior liquidez. Os golpistas costumam agir, em sua maioria, adquirindo produtos para revender — esclarece Jarouche, da ClearSale.

Cuidados para evitar dores de cabeça

Após a confusão, Tadeu procurou o Submarino para saber como não acessar um site falso:

— Explicaram que, se o cliente já tiver cadastro, não precisará digitar nenhum dado além de login e senha para ter acesso. Infelizmente, disseram, há dezenas de sites que se fazem passar pelo Submarino, sem despertar a desconfiança do consumidor.

Para evitar fraudes on-line, é preciso tomar alguns cuidados básicos, alertam os especialistas. Deve-se optar somente por lojas conhecidas, com boa reputação no mercado virtual. Caso não seja possível, deve-se, então, fazer uma pesquisa: verifique se a loja tem CNPJ, endereço válido e, principalmente, um contato de atendimento ao consumidor. E, antes de criar um cadastro ou informar os dados do seu cartão de crédito, observe se o site tem protocolo de segurança — o endereço precisa começar com “https”. Plataformas conhecidas de pagamento são um bom indicativo de que a loja é confiável.

A forma de pagamento, aliás, diz muito sobre o site. Lojas que só aceitam boleto ou transação bancária merecem desconfiança, já que, nesses casos, o estorno não é garantido. Com o cartão de crédito, sempre se pode recorrer às operadoras.

Em relação às ofertas, é preciso desconfiar de descontos muito agressivos. Se encontrar uma promoção exorbitante em um link desconhecido, não clique. Provavelmente é uma tentativa de phishing — quando um hacker tenta obter senhas e dados bancários por meio de um link falso.

Fonte: “Pequenas empresas e grandes negócios”.

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