“Inovar não custa caro”, desmistifica Lena Arndal, do Creative Business Cup

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No final do ano passado, diversos projetos brasileiros competiram pela chance de participar da grande final da Creative Business Cup (CBC), na Dinamarca, considerada a copa do mundo do empreendedorismo criativo. Três deles estavam representados lá e um concorria ao prêmio principal. Promovida pelo governo local, a CBC pretende estimular projetos do mundo todo que combinem uma ideia criativa com potencial de mercado e visão de negócio. Neste ano, o Brasil participa pela segunda vez da competição, ao lado de 39 países. Cada um deles realiza uma etapa nacional e elege um ganhador para ir à Dinamarca em dezembro para apresentar o projeto a investidores. Três vencedores recebem como prêmio consultoria, financiamento e apoio para desenvolver o projeto.

Em passagem pelo Brasil para estruturar a etapa nacional e estimular a adesão de outros países da América do Sul, a dinamarquesa Lena Arndal, representante do Governo da Dinamarca e diretora internacional da CBC, conversou com exclusividade com Pequenas Empresas & Grandes Negócios. Na entrevista, Lena desmistifica a ideia de que inovar custa caro e de que ser criativo no mundo dos negócios é arriscado. Para ela, as empresas criativas precisam sair da zona de conforto e trabalhar com os sentimentos do público que querem atingir. “Afinal, o consumidor compra com o coração e não com cérebro”, afirma.

Pequenas Empresas & Grandes Negócios: Quais são os objetivos da Creative Business Cup (CBC)?
Lena Arndal: Quando falamos de economia criativa, temos de trabalhar com o que está na cabeça das pessoas quando elas ouvem o termo “economia criativa”. Às vezes, elas associam isso a pequenas empresas. Mas não se trata só disso. Com a CBC, queríamos criar uma imagem mais ampla, mostrar que há pessoas criativas no mundo e que elas podem transformar isso em negócio. Não queremos apenas fazer da CBC uma competição, mas criar um movimento, um palco para projetos inovadores, e atrair atenção para pessoas inspiradoras, que fazem seu próprio negócio sem medo.

PEGN: Não se trata principalmente de uma competição mundial por projetos inovadores?
Arndal: Com a CBC, queremos chamar atenção para iniciativas da economia criativa de todo o mundo. No final, você terá um competidor, claro. Mas só de a empresa participar de uma das etapas, você já terá contato com muitas pessoas criativas, além da oportunidade de desenvolver um plano de negócios e mostrar a investidores. Tomara que isso já estimule este mercado e seja suficiente para criar muitos negócios – não apenas para os vencedores.

PEGN: Como podemos avaliar o potencial de mercado de uma nova ideia? Como desenvolvê-la?
Arndal: Para criar um negócio criativo você deve fazer o mesmo que em qualquer outro: ter um bom time, financiamento e escalabilidade. Algumas vezes, a gente acha que o problema para a indústria criativa está em pensar em escala, com foco em apenas um produto. Nesse mercado, você precisa não apenas jogar o jogo da indústria, mas também trabalhar com designers, produtores e outros profissionais para estar pronto para desenvolver vários tipos de produtos.

PEGN: Empresas criativas podem estimular inovações na indústria tradicional?
Arndal: Vamos esclarecer uma coisa: é difícil definir a economia criativa. Se você vende um par de Havaianas, por exemplo, você é um empreendedor criativo ou um vendedor? O que quero pontuar é que talvez as pessoas não comprariam Havaianas e a marca não seria tão forte se a empresa não tivesse dado criatividade ao produto. A forma como eles desenvolveram isso mantém os clientes próximos. Pessoas compram Havaianas porque a empresa acrescentou um design muito criativo e permitiu a customização. As pessoas se sentem especiais e podem ter o par de chinelos que quiserem. E isso é o mais incrível que a economia criativa pode ensinar à indústria tradicional: hoje as pessoas são mais individuais, querem mostrar o que têm, não querem comprar o que todo mundo compra. Não querem ser mais um na multidão.

PEGN: Uma das questões quando se pensa em indústria criativa no Brasil é que inovação custa caro – e muitas vezes isso acaba desestimulando os empreendedores a arriscar algo novo. O que você acha?
Arndal: Você quer ver um negócio? Meu chefe está vindo para o Brasil. Se eu tiver uma ótima experiência no lugar onde estou hospedada, recomendarei para ele. Então, se você tem um hotel, poderia chamar pessoas para aprender como fazer uma boa hospedagem. Pode levar uma peça de teatro para ser encenada lá. Tudo é uma questão de experiência, de fazer as pessoas se sentirem bem – e essas coisas não saem caro para o hotel. Seria possível ligar para um teatro local, pedir cenógrafo, colocar o serviço em outro nível – isso é inovação! E isso não é caro. E quer saber mais? Eles vão voltar e recomendar seu hotel para algumas pessoas. Mas se eles tiverem uma experiência ruim, contarão para 100 pessoas. É só fazer as contas e ver o que vale no final. Não é caro e não é difícil. A empresa precisa ter coragem de ultrapassar sua zona de conforto.

O que é preciso buscar quando se entra na economia criativa?
Arndal: As pessoas precisam comprar o seu conceito. Tudo é feeling – se você está no mercado de seguros, por exemplo, deve fazer de tudo para que o cliente se sinta seguro com os serviços que recebe. Economia criativa se faz com sentimentos. As empresas vendem sentimentos, vendem o sentimento de fazer você se sentir bem. Afinal, o consumidor compra com o coração e não com cérebro.

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

 

 

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