Economia se deteriora e governo busca receitas

Arrecadação caiu 5,44% em janeiro ante igual mês de 2014, e governo anunciou medidas para reforçar o caixa

Os últimos dados econômicos divulgados mostram que a economia do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff está pior do que se esperava. As perspectivas para o crescimento econômico são reduzidas semanalmente e os indicadores de confiança recuaram com força.

Nas últimas semanas, os analistas econômicos ficaram claramente mais pessimistas e passaram a prever uma recessão para este ano.

O governo enfrenta um ajuste fiscal duro após registrar um déficit primário de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014. A equipe econômica prometeu entregar um superávit de 1,2% do PIB neste ano, o que dificulta a retomada do crescimento.

A queda da receita é um dos pontos que mais preocupam para o ajuste. A equipe econômica tem feito anúncios na direção correta, mas temos um caminho a percorrer – Marcos Lisboa, vice-presidente do Insper.

A melhora fiscal se tornou fundamental depois que a economia brasileira entrou no radar das agências de rating e o país passou a correr o risco de perder o grau de investimento.

O governo tem anunciado uma série de medidas para tentar elevar a arrecadação – em janeiro houve uma queda real de 5,44% na comparação com o mesmo mês de 2014.

Na lista das ações anunciadas está a volta da Cide sobre o combustível, do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para o crédito de pessoa física.

Na sexta-feira, a equipe do ministro Joaquim Levy anunciou alterações na desoneração das folhas de pagamentos em busca de mais receita.

“A queda da receita é um dos pontos que mais preocupam para o ajuste. A equipe econômica tem feito anúncios na direção correta, mas temos um caminho a percorrer (para atingir a meta)”, afirma Marcos Lisboa, vice-presidente do Insper.

Mau humor – O quadro geral ruim da economia brasileira fez com que o mau humor ficasse generalizado. Todos os setores estão com os indicadores de confiança bem abaixo da média histórica. Em fevereiro, a sondagem realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou recuo na confiança da indústria, do comércio e da construção.

Na visão dos empresários, o resultado concreto da baixa confiança é pouca disposição para contratar mão de obra e de fazer investimentos.

“Se as empresas estão trabalhando com alguma ociosidade, e o empresário não está confiando que a economia vai se recuperar num horizonte esperado, ele posterga projetos”, diz Aloisio Campelo, superintendente adjunto para Ciclos Econômicos da FGV/Ibre.

Na outra ponta, os consumidores também estão descrentes, o que dificulta a retomada da economia. O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), divulgado na quarta-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), atingiu o nível mais baixo desde junho de 2001, com 100 pontos – quanto maior o índice, mais otimismo tem os brasileiros.

A pesquisa também mostrou uma elevada preocupação com a expectativa da economia: 77% acham que a inflação e 69% acreditam que o emprego vão aumentar ou aumentar muito.

“A situação das famílias ficou mais apertada porque é um período do ano com gastos extras e houve aumento de impostos”, diz Marcelo Azevedo, economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Seguro – A piora de percepção do Brasil se estendeu para o mercado financeiro. No ano, o dólar subiu – alta de 7,57% -, assim como o risco país.

“O CDS (Credit Defatul Swap) de cinco anos praticamente dobrou nos últimos 12 meses. Ele saiu de um patamar de 130 pontos e está em 250 pontos”, diz Damont Carvalho, sócio e responsável pela estratégia dos fundos macro da gestora Claritas. O CDS é um papel que serve como “seguro” contra eventual calote do país.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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