Cristiane Schmidt critica “distorção do olhar brasileiro sobre as privatizações”

O artigo “Privatizar? Não pense”, da professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Cristiane A. J. Schmidt, publicado pelo jornal “O Globo” desta quinta-feira 23 de fevereiro, critica a postura do Partido dos Trabalhadores quanto à política de privatizações. Para a Cristiane, “um dos pilares ideológicos mais importantes do PT nas duas últimas disputas presidenciais” foi a distorção do olhar brasileiro sobre as privatizações, que segundo ela trouxeram excelentes resultados.

O artigo destaca que mesmo com consecutivas campanhas eleitorais contrárias à venda de empresas estatais, o governo da presidente Dilma Rousseff viu a necessidade de dar início à privatização dos aeroportos brasileiros. No entanto, para a autora, deve-se dar atenção agora a outras questões, que superam brigas partidárias. Cristiane indaga:  “por que empresas de peso do setor aéreo, como a Fraport, não venceram as concessões?; como uma empresa endividada, a Triunfo, arrematou Viracopos, pagando um ágio de 160%?; por que 60% das obras e 80% dos equipamentos serão financiados pelo BNDES, ou seja, por impostos dos brasileiros?; e qual a razão de o ágio total ter sido tão elevado (350%)? Deve-se à má avaliação do setor público ou à certeza do setor privado de que os contratos serão renegociados e as tarifas aumentadas, uma vez que os valores pagos, em geral, superam a capacidade de geração de caixa?”

Outro artigo crítico à postura do Partido dos Trabalhadores, é “O PT ensina a privatizar com ternura”, do especialista do Instituto Millenium Guilherme Fiuza, publicado na revista Época desta semana. Após a declaração do Diretório Nacional do partido que “não é verdade que acabou a disputa ideológica sobre as privatizações”, Fiuza escreveu: “Se dependesse do PT, a telefonia nacional estaria até hoje nas mãos da Telesp, Telerj e congêneres. Era um sistema apodrecido pela corrupção e pela ineficiência, que servia menos aos aparelhos telefônicos que ao aparelhamento político. Mas era “nosso”. A privatização mudou a vida de milhões de brasileiros, especialmente os mais pobres, que até outro dia ainda se comunicavam pelo sistema de recado na birosca.”

Fonte: “O Globo” e “Época”

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