Estados do Nordeste sofrem com casos de violência no carnaval

Ceará registra 70 homicídios, o maior número nos últimos 10 anos

O carnaval deste ano no Nordeste foi marcado pelo aumento de registros de homicídios e de casos de violência em alguns estados. O Ceará, segundo dados dos comandos de Policiamento da Capital e do Interior, teve o carnaval mais violento dos últimos dez anos com cerca de 70 assassinatos entre sexta-feira e a noite de terça-feira. Em Alagoas, a quantidade de assassinatos aumentou 6,5%, mas, em sua capital, o número dobrou de três homicídios, no ano passado, para seis, em 2014. No Maranhão, na região conhecida como Grande Ilha foram registradas 16 mortes, um aumento de 45,5% comparado com o mesmo período no ano passado.

A secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará não confirmou os dados do Comando de Policiamento e deve apresentar hoje um balanço sobre a violência no carnaval. Para o presidente da comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados Brasil no Ceará, Edimir Pereira Martins Filho, a violência no estado é constante e piora durante as comemorações.

– É natural que durante as festas as pessoas, muitas vezes por efeito do álcool, extrapolem. É nessa hora que o estado interfere, mas isso não ocorre no Ceará. Não existe PM na rua para prender; quando preso, não há policial civil para fazer registro; quando fichado, não há vaga nos presídios – afirma Edimir, que aponta erros de investimento na área: – Investiram em material mas esqueceram de contratar. Em 1990, eram 5 mil policiais civis. Hoje, são 3 mil. Teríamos que ter 30 mil PMs, temos 15 mil.

A secretaria afirmou que os números não correspondem à realidade no estado.
No Maranhão, segundo dados do relatório da Secretaria de Segurança Pública, dos 16 homicídios ocorridos na região da Grande Ilha (São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa), treze assassinatos foram cometidos por armas de fogo. O estado, que vive uma crise em seu sistema prisional, está com policiais militares e bombeiros reduzindo as abordagens e o atendimento às ocorrências como forma de protesto pela exclusão da categoria do reajuste anunciado aos servidores estaduais.

Já o estado de Alagoas teve aumento de dois óbitos em relação ao ano passado. Na capital, Maceió, dobrou o número de homicídios. No ano passado, foram três registros e, este ano, foram seis. A terça-feira foi o dia mais violento do carnaval, com nove mortes em todo o estado. Além disso, foram registradas 2 ocorrências de achados de cadáver, 32 de pertubação do sossego alheio, 34 de lesão corporal e 46 de ameaça.

A cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, também teve uma terça-feira violenta. Cinco pessoas, entre elas uma criança e uma idosa, foram feridas. Quatro delas foram baleadas e uma ferida com faca. As cinco vítimas não sofrem risco de morte, porém, o estado registra um óbito. Alex Bruno da Silva Calixto, de 23 anos, morreu no sábado, após um tiroteio que aconteceu na concentração do bloco de carnaval As Raparigas.

Em Teresina e em Salvador, o número de assassinatos diminuiu. Na capital do Piauí, é o terceiro ano seguido em que o índice cai. Em 2014, a cidade registrou dois homicídios, um a menos do que no ano passado. Em Salvador, houve uma redução de 28% no número de ocorrências policiais e o registro de um assassinato. Em 2013, foram dois.

– Estamos investindo em tecnologia, isso auxilia muito no trabalho do policial que está na rua. Ano passado, tivemos um treinamento especial para a Copa das Confederações. Acredito que isso também tenha contribuído para melhorar o padrão de segurança da festa – diz o governador da Bahia, Jacques Wagner (PTB-BA).

Fonte: O Globo

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