Estudo indica que risco para transporte de carga em SP e RJ está entre os mais altos do mundo

Informações disponibilizadas por uma instituição britânica que avalia o risco para seguradoras em diversos países mostram que, de fevereiro a março, o Brasil saltou de 10º para 6º num ranking que indica em quais locais do mundo existe maior ameaça de riscos no transporte de cargas. Iraque e Somália empatam com o Brasil, que está atrás do Sudão do Sul, Afeganistão, além de Iêmen, Líbia e Síria, empatados em 1º lugar.

O ranking leva em conta fatores como áreas em guerras e por onde as cargas correm risco, por exemplo, de passar por regiões onde ocorrem ataques aéreos. No caso do Brasil, o risco citado é o roubo das cargas transportadas.

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O ranking da JCC Cargo Wacthlist é elaborado mensalmente e elenca os países em “faixas de risco”, de acordo com os índices apurados pela instituição. As denominações vão de “baixo” a “extremo”. Com 3,7 de risco para o transporte de cargas, o Brasil se enquadra na faixa “muito alto”, a duas posições do patamar mais grave.

A escalada do Brasil na tabela ocorre mês a mês desde janeiro deste ano, quando o país ainda tinha como índice a marca de 3,4. O ganho de três décimos no ranking foi atribuído, em fevereiro e março deste ano, ao avanço da criminalidade nas principais rodovias que cortam os estados do Rio de Janeiro e São Paulo.

Em fevereiro, em relação ao Rio, o aumento se dá principalmente pelo crescimento do número de roubo de cargas na comunidade do Chapadão, na Zona Norte, local já conhecido dos fluminenses pela prática do crime. A associação caracteriza o local como “santuário do crime organizado”, onde “facilmente ocorre o armazenamento e venda da carga roubada”.

Também são citadas como pontos perigosos as cidade de Niterói e São Gonçalo, na Região Metropolitana; os bairros de Santa Cruz, Campo Grande, na Zona Oeste da Capital; a BR-040 (Rio-Teresópolis) perto de Magé; e a BR-116 perto da Serra das Araras.

Sobre janeiro, a piora na avaliação do Brasil teve como base ocorrências do Rio de Janeiro, desta vez com números de estudo da Federação das Indústrias do estado (Firjan). As informações colhidas durante 2016 refletem “o aumento do profissionalismo das quadrilhas do crime organizado envolvidas e a extensão da corrupção”, é ressaltado.

Em São Paulo, “o índice de roubos de carga é ainda maior”, destaca a instituição, em documento preparado em parceria com a empresa de informação e análise IHS Markit. O texto afirma ainda que São Paulo abriga 48,47% das ocorrências brasileiras de roubo de cargas, enquanto o Rio responde por 33,54%.

Sobre o estado de São Paulo, o relatório da JCC cita como vias mais perigosas principalmente trechos de grandes rodovias como a Anhanguera (SP330), Dutra, Régis Bittencourt, Bandeirantes e Castelo Branco.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo informou que “não comenta pesquisas cuja metodologia desconhece”, mas garantiu que vem adotando medidas no combate aos roubos e furtos de carga.

Segundo a pasta, foi criado um grupo de trabalho que firmou um protocolo para implementar ações de prevenção. “Entre elas estão a implantação de um sistema de georreferenciamento das áreas em que ocorrem esses crimes, locais onde as cargas são recuperadas e banco digital de imagens de presos envolvidos neste tipo de crime.”

No Rio, delegacia mira em receptadores
No Rio, conforme explicou ao G1 o delegado titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), Maurício Mendonça, nos últimos três anos houve uma guinada da “modalidade criminosa”. Ele conta que os traficantes passaram a se interessar por essa forma de atuação porque o investimento é praticamente “zero”.

Basicamente, o delegado garante que o único gasto dos criminosos ocorre no momento da aquisição de armamento, como fuzis, para efetuar os roubos. Já com o tráfico, os bandidos precisam comprar as drogas e depois revender os entorpecentes.

Como passou a ser uma das práticas favoritas dos bandidos, a estratégia da polícia agora é mirar nos receptadores. Mendonça diz que muitos deles já foram indiciados, mas a legislação é “branda” e muitos são soltos porque a recepção de material roubado não é um crime cometido “com violência ou grave ameaça”. Ainda assim, o delegado garante que a participação dos receptadores é fundamental para “alimentar” a incidência do crime.

“Os receptadores são os grandes influenciadores de toda essa cadeia criminosa. Só há o roubo da carga porque há um receptador para comprá-la. O traficante não rouba a carga para doá-la. Ele rouba para vendê-la. E o receptador tem uma participação fundamental nesse ciclo”, explicou o delegado.

Fonte: G1.

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