Terça-feira, 6 de dezembro de 2016
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Ex-camelô vai administrar Feira da Madrugada em SP

O ex-camelô Elias Tergilene, de 43 anos, venceu a licitação para cuidar, pelos próximos 35 anos, da Feira da Madrugada, ponto de comércio popular na região central de São Paulo. Atualmente, o centro de compras tem 4 mil ambulantes e recebe, diariamente, milhares de clientes.

Para ter o direito de explorar a área, Tergilene terá de pagar R$ 50 milhões para a Prefeitura e investir R$ 500 milhões em infraestrutura, estacionamento e hotelaria. O empresário mineiro, porém, diz acreditar que o investimento vá movimentar R$ 1,5 bilhão nas próximas três décadas e meia.

“Sou ex-camelô. Comecei a vida vendendo esterco. A minha interlocução com eles é de camelô para camelô. A Feira da Madrugada é um grande berçário de empresários do futuro”, disse.

O contrato de cessão poderá ser renovado por mais 35 anos. Em contrapartida, estabelece que o município deva realizar licitação para implementar projeto de desenvolvimento de polos comerciais no Pari, Brás, Bom Retiro, Santa Ifigênia e Sé.

Dono de uma série de projetos de estímulo ao empreendedorismo em locais como o agreste nordestino e a Favela do Alemão, no Rio, Tergilene afirmou ao G1 que pretende dar treinamento aos ambulantes, investir na formalização dos comerciantes e estabelecer parcerias com a indústria e com os órgãos de fiscalização para desestimular a pirataria.

“Se hoje vendem pilha ou roupa pirata, vamos vender pilha ou roupa nacional. As indústrias brasileiras têm de participar desse processo”, afirmou, deixando claro que pensa até em criar uma segunda linha de produtos mais procurados com a marca da Feira da Madrugada.

Tergilene terá direito a R$ 950 mensais de cada um dos ambulantes que operam na feirinha, mas pensa em buscar outras fontes de receita ainda mais relevantes, com a construção de uma praça de alimentação, com grandes redes de fastfood e bancos.

Além do treinamento e formalização dos ambulantes, Tergilene pensa em criar uma cooperativa de limpeza e reciclagem de lixo formada por moradores de rua e uma empresa de segurança com policiais aposentados, mas rejeita a ideia de assistencialismo. “Nosso país não aguenta mais isso. Não quero falar em bolsa-família.”

Polêmicas
Em 2012, o governo federal transferiu à Prefeitura de São Paulo o terreno de 119 mil metros quadrados do Pátio do Pari, na região central de São Paulo, onde funciona a Feira da Madrugada.

A destinação da área provocou polêmica nos últimos anos por causa das denúncias de cobrança de propina pela fiscalização e da prática de irregularidades no comércio local. A Prefeitura apertou a fiscalização da área, o que motivou protestos dos comerciantes.

A formalização da cessão da área tirou da gaveta um projeto de modernização que prevê a construção de estacionamento para ônibus e veículos, torre de escritórios e hotel.

Um decreto estabeleceu que a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho seria responsável pela elaboração do projeto de concessão e da proposta para detalhar como vai ser o fomento ao comércio e o desenvolvimento econômico e social da área concedida, a realização do procedimento licitatório, contratação e respectiva fiscalização.

Em 2011, o então prefeito Gilberto Kassab (PSD) disse ter recebido várias cartas que denunciavam a cobrança de propina de comerciantes. O Ministério Público Federal requisitou que a Polícia Federal abrisse um inquérito para apurar a cobrança de propina no local.

Fonte: G1.

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