Sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
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Giambiagi trata de preconceito com o capitalismo

Foi do antigo hábito de guardar artigos, declarações e frases de personalidades que o economista Fabio Giambiagi tirou inspiração para escrever seu novo livro “Capitalismo – Modo de Usar” (editora Campus/Elsevier), que será lançado nesta segunda-feira. Ao analisar o tipo de material arquivado nas últimas décadas, ele constatou que grande parte fazia referência ao capitalismo e seus efeitos prejudiciais sobre a economia. Para Giambiagi, essa visão, muitas vezes cercada de preconceito, pode ajudar a explicar as dificuldades enfrentadas hoje pelo Brasil. Para ele, a cultura nacional mantém viva a ideia de que a solução de todos os problemas deve vir da ajuda do Estado.

Segundo o autor, a Previdência Social é um dos maiores símbolos deste equívoco, traduzido nas despesas do INSS. Elas saltaram de 2,5 % do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) em 1988 para quase 7,5 % do PIB em 2015 e, de acordo com Giambiagi, continuarão subindo, uma vez que o número de idosos aumentará em torno de 4% ao ano nos próximos 15 anos. Outro indicador, aponta o economista, é o Plano Nacional de Educação, que estabelece que essas despesas devem subir de 6% para 10% do PIB em dez anos, mesmo com queda no número de alunos.

– Trata-se da ideia de que o Estado é uma grande vaca leiteira de onde podem ser extraídos recursos indefinidamente para satisfazer demandas setoriais. Só que agora o dinheiro acabou – afirma Giambiagi.

O livro traz algumas das frases que o autor considera marcantes, contra ou a favor do capitalismo. Giambiagi, no entanto, só cita as frases e não seus autores. Segundo ele, o objetivo do livro é brigar com as ideias e não com as pessoas.

– A reforma mais importante pela qual o Brasil precisa passar é uma mudança de mentalidade – diz o economista.

Dividido em três partes, o livro tem 16 capítulos com títulos bem-humorados como “Sucesso, essa ofensa pessoal” e “A cultura do coitado, ou o Haiti não é aqui”.

Para o economista, a palavra mais importante para se entender o livro é competição. Ele destaca que os brasileiros entendem e reconhecem a importância de se fomentar a competição na esfera esportiva, mas têm dificuldades de entender esse conceito na economia. O resultado disso é que o Brasil ainda é um país fechado em que as empresas são protegidas.

Segundo Giambiagi, o livro pode contribuir para o debate econômico atual, no momento em que o governo tenta realizar um programa de ajuste fiscal com medidas que restringem a concessão de benefícios previdenciários e trabalhistas.

Fonte: O Globo

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