Guilherme Fiuza diz que “lei Myrian Rios” é patética e inócua

Em uma clara interferência do Estado na vida privada dos cidadãos, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, sancionou o “Programa de resgate de valores morais, sociais, éticos e espirituais” na última quinta-feira, 17 de janeiro. A deputada Myrian Rios (PSD), autora do polêmico projeto de lei, acredita que cabe ao governo definir o que as pessoas podem e não podem fazer.  O Executivo estadual  pretende controlar o comportamento das pessoas por meio da classificação arbitrária e maniqueísta de certo e errado, bom e ruim.

O jornalista e escritor Guilherme Fiuza disse que a única consequência da “Lei Myrian Rios” será enriquecer o anedotário da política nacional. “É uma lei retórica, patética e inócua, sem nenhuma chance de ser aplicável seriamente”.

Quem sabe sua redação não pudesse ser modificada, para que ela tratasse especificamente dos valores morais e éticos do poder público

O texto do projeto não deixa claro como a lei será aplicada, limita-se apenas a dizer que ele será posto em prática através de parcerias com prefeituras e sociedade civil. Segundo o governador, caberá a secretaria estadual de Assistência Social e Direitos humanos “promover o resgate da cidadania, o fortalecimento das relações humanas e a valorização da família”.

Fiuza sugere uma modificação na redação da lei para que ela tratasse especificamente dos valores morais e éticos do poder público em suas relações com a empreiteira Delta, sobre as quais o Rio de Janeiro e o Brasil precisam tanto saber.

Em outra tentativa de controle das liberdades individuais no estado, a 2ª Vara da Família, da Infância, da Juventude e Idoso de Macaé proibiu as livrarias da cidade de expor a trilogia “Cinquenta tons de cinza”, de E.L. James, em suas prateleiras sem lacres. Desde a última sexta-feira, 11 de janeiro, foram recolhidos 64 volumes considerados “impróprios”.

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7 comments

  1. luiz eduardo

    em se tratando de Sérgio Cabral, tudo é possível…

  2. Regina Caldas

    O exemplo vem de cima. E o que vemos? Um estado corrupto e permissivo. E quer impor regras sobre cidadania, ética, relações familiares? Permitindo às redes de TV uma rede de programas do mais baixo nível intelectual e moral? Essta Miriam Rios divaga…

  3. Rodrigo Otávio Moraes

    Sobre o livro… Eu particularmente sou contra controle de conteúdo, mas quem traça a linha?
    Pq uma playboy não pode ser vendida a um menor, e o livro poderia? Qual é o limite, quem vai bater o martelo e dizer que isso ou aquilo deve ou não ser permitido. Por mais idiota que seja a lei, reflete o estado esquizofrênico que vivemos. Com vários pesos e medidas, balançando a favor de grupos ideológicos.

  4. Tiago

    Só pra comentar o começo de sua matéria “interferencia do estado na vida privada dos cidadão”. 1º Sabe-se que o homem se atrai principalmente pela visão e pela estética do corpo feminino. Será que as novelas, filmes programas de tv não interferem na vida do cidadão? Cada um tem direito de escolher o que quer. Ainda que como na tv, vejo mais como impósição, mas a pessoa é que escolhe se irá assistir ou não. Assim creio que o pl da deputada Myrian Rios não seja arbitrário e sim como classificação de certo ou errado, assim como foi e é na educação de cada um de nós, cabe nos o direito de optar pelo certo ou pelo errado, não acha?

  5. Leandro

    É inócuo.
    É patético.
    E por isso não interfere na vida de ninguém.

  6. Carlos Francisco

    A discussão não é tanto sobre a obra ser ou não adequada,pornográfica ou não.A crítica do Fiúza é sobre o avanço e interferência cada vez maior do Estado nas decisões privadas do cidadão, indo na contramão da história. As tendências antidemocráticas da esquerda no poder,mais a hipocrisia e demagogia estatal que tenta nos proteger e nos moralizar enquanto fecha os olhos pra semvergonhice do Estado(essa muito mais prejudicial)mostra o espírito hipócrita que domina a mídia e o Brasil nesses tempos medievais de Lula e PT.

  7. Carlos Francisco

    Fiuza não discute tanto sobre a obra ser ou não adequada.A crítica do Fiúza é sobre o avanço e interferência cada vez maior do Estado nas decisões privadas do cidadão, indo na contramão da história. As tendências antidemocráticas da esquerda no poder,mais a hipocrisia e demagogia estatal que tenta nos proteger e nos moralizar enquanto fecha os olhos pra semvergonhice do Estado(essa muito mais prejudicial)mostra o espírito hipócrita que domina a mídia e o Brasil nesses tempos medievais de PT e Lula.