Quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
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Hospitais não estão preparados para Olimpíadas, diz conselho

A 21 dias das Olimpíadas, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) concluiu que, se acontecer um acidente com múltiplas vítimas durante os Jogos, a rede carioca de saúde pública não terá capacidade de atender a todos.

A constatação foi feita a partir da fiscalização realizada pelos conselheiros entre os últimos dias 5 e 11 nos cinco hospitais designados como de referência para o atendimento de emergência durante as competições, de 5 a 21 de agosto.

Durante as visitas, a equipe do Cremerj verificou que todos os hospitais de referência – Souza Aguiar (Centro), Salgado Filho (Méier, zona norte), Miguel Couto (Gávea, zona sul), Albert Schweitzer (Realengo, zona oeste) e Lourenço Jorge (Barra da Tijuca, zona oeste) estão superlotados e sem capacidade para receber mais pacientes.

O relatório parcial das vistorias foi divulgado, nesta sexta-feira. O documento será entregue na próxima segunda-feira à Secretaria Municipal de Saúde. O presidente do Cremerj, Pablo Vazquez, afirmou que o quadro é “preocupante”.

“Há uma superlotação, e as vagas para leitos estão escassas. Há a necessidade, não quero pensar no pior, em aumentar a estrutura de atendimento. Estou preocupado porque hoje há lotação e na Olimpíada teremos mais de 1 milhão de visitantes. Ainda dá tempo”, disse.

Segundo Vazquez, outro fator que preocupa é a redução de verbas para a saúde. “O Rio teria que investir pelo menos 12% de seu orçamento na saúde. Tem investido 4%”, afirmou.

De acordo com o vice-presidente do Cremerj, Nelson Nahon, a diferença entre o total do orçamento e o que foi investido até agora representa menos de R$ 370 milhões aplicados na saúde.

“Teriam que ser investidos R$ 400 milhões. Em junho, só foram investidos cerca de R$ 25 milhões. Os hospitais estão precários, faltam medicamentos e as equipes médicas estão reduzidas”, disse.

Ainda segundo o conselho, há a demanda diária de cem leitos para Centros de Tratamento Intensivo de pacientes em fila de espera.

Outra medida criticada foi a solução apresentada pela rede pública de, durante as Olimpíadas, atender pacientes de média gravidade em uma cantina desativada no Salgado Filho, caso haja acidente com muitas vítimas.

“Nos disseram que construirão leitos no local. Mas nos preocupa que é um espaço aberto, ainda com os balcões da antiga cantina”, disse Nahon.

Fonte: “O Estado de S. Paulo”.

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