Sábado, 10 de dezembro de 2016
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Indicação de ministros investigados na Lava Jato gera desconforto

A nomeação de três ministros investigados pela Lava Jato, Romero Jucá (Planejamento), Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo), para compor o primeiro escalão do governo de Michel Temer frustrou a expectativa daqueles que esperavam o prometido ministério de “notáveis”.

Em sua coluna no jornal “O Estado de São Paulo” o repórter Fausto Macedo ressaltou que Romero Jucá é investigado no Supremo por suposto recebimento de dinheiro desviado da Petrobrás e do setor elétrico. Já Henrique Eduardo Alves foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal em dezembro do ano passado em uma das fases da Lava Jato, batizada de Catilinárias. Geddel Vieira Lima aparece nas mensagens com Léo Pinheiro tratando do atendimento de interesses da OAS em órgãos do governo, entre eles a Caixa.

O doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP), Nuno Coimbra Mesquita, diz que Temer parece ter deixado de lado as exigências de padrões éticos para a ocupação desses cargos. Embora não haja um impedimento legal para que investigados assumam esses cargos, o professor lembra que é importante sinalizar à população que o tema do controle da corrupção e a lisura no trato com a coisa pública estão sendo levados a sério.

O também cientista político, Carlos Pio, reconhece que o presidente interino não procurou dar resposta à expectativa de renovação da classe política quando compôs o seu ministério. Ele acredita que Temer decidiu priorizar a crise e o déficit fiscal. “Temer optou por uma reação pragmática à crise econômica na expectativa de que o seu alívio possa lhe assegurar condições de entregar um país melhor a seu sucessor”, opina.

Sebastião Ventura acredita que as indicações desses políticos pode ser minimizada pela a eficiência e seriedade administrativa do novo governo. Ainda assim ele lembra que casos de corrupção precisam ser investigados e punidos. “Se faz necessário o agudo e decidido combate à corrupção, pois, para ser respeitado, o governo deve ser decente e formado por homens e mulheres fielmente dedicados à causa pública”.

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