Indústria eleva o tom da cobrança ao governo

 Menos de duas semanas depois das eleições, empresários industriais elevaram ontem o tom de cobrança ao governo da presidente Dilma Rousseff.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, afirmou que o setor produtivo quer “sinais claros e firmes” sobre a estabilidade da política econômica na nova gestão.

 “Todas as vezes que o PIB brasileiro cresceu em ritmo mais consistente, isso se deu por causa da indústria”, disse Andrade. “Não existe país rico sem indústria forte.”

As cobranças ao governo foram feitas durante evento da CNI, em Brasília, com a presença do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges.

Falta de diálogo

Ex-ministro do Desenvolvimento no governo Lula, e membro do Conselho de Administração da BRF, Luiz Fernando Furlan reclamou de falta diálogo com Dilma. “A presidente, nessa altura do campeonato, recebeu a mensagem de que precisa estabelecer sistema de diálogo direto com a produção. Não só indústria, mas serviço, comércio”, disse. “Isso já houve no passado e foi diminuindo.”

Furlan defendeu, ainda, a simplificação tributária. “(A burocracia) come uma parcela importante do PIB, dos dois lados: de quem tem que cumprir e de quem tem que controlar”, disse. E sugeriu estabelecer cinco prioridades para o setor. “Quem tem muita prioridade não tem nenhuma.”

Agenda de crescimento

O presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau e da Câmara de Políticas de Gestão da Casa Civil da Presidência, Jorge Gerdau Johannpeter, reclamou da alta carga tributária da indústria, apontou a agenda de crescimento como “maior problema” do país e concluiu que a estagnação do Brasil é “insustentável” para as políticas do governo.

Gerdau defendeu um sistema de débito e crédito automático para simplificar a questão tributária. “O mundo inteiro trabalha assim. É uma solução, funciona automaticamente e alivia todos nós.”

Em outra dura crítica, Furlan disse que o Brasil está ficando para trás. “Estamos no país do diagnóstico. Muita gente acha que a solução é fazer diagnóstico. Nosso país está ficando para trás e destruindo coisas que foram feitas, de ajudar a expandir as empresas brasileiras”, afirmou. E disse que o setor público premia a incompetência

Amigável

Embora tenha ressalvado não ser mais porta-voz econômico da candidata Dilma, Mercadante levou o recado da presidente aos empresários. Na próxima semana, haverá reunião com representantes do setor industrial, no Palácio do Planalto, para tratar das 42 ações propostas pela CNI. “Dilma assumiu compromisso de tratar isso como prioridade. Enquanto eu estiver na Casa Civil, vamos encaminhar o assunto com outras áreas econômicas do governo”, disse.

Sobre o regime tributário, o ministro disse que o projeto de simplificação e unificação do PIS-Cofins “está pronto” para ser enviado ao Congresso.

Mercadante defendeu as políticas do governo Dilma Rousseff ao afirmar ter havido prudência nas contas externas, inflação sob controle e geração de empregos.

“A escolha do Brasil é a que a diretora geral do FMI aconselhou. O Brasil fez política fiscal amigável ao emprego e à atividade econômica”, disse o ministro-chefe da Casa Civil.

Mercadante disse ainda que a taxa de juros atual do Brasil é a menor da história, mas reconheceu que ainda é muito alta para garantir a competitividade do setor produtivo.

Fonte: O Estado de S.Paulo.

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