Inflação pode estourar meta no próximo ano

O risco de estouro da meta de inflação no último ano do mandato da presidente Dilma Rousseff aumentou, segundo projeções divulgadas ontem pelo Banco Central (BC). De acordo com o mais recente relatório trimestral de inflação, a possibilidade de o índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ultrapassar o limite de 6,5% em 2014 subiu de 25% para 29%. O BC elevou a 5,7% a projeção para o ano que vem, mas reduziu a estimativa para 2013, de 6% para 5,8%.

Confirmadas as projeções do BC, a inflação sob o governo Dilma terá sido sempre acima do centro da meta perseguida pela autoridade monetária, que é de 4,5%. Em 2011, o IPCA foi de 6,5% e em 2012, de 5,84%. “A inflação está alta, em um nível desconfortável, e acredito que há bastante trabalho a ser feito pela política monetária”, afirmou ontem o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, responsável pelo relatório de inflação. Ele, no entanto, desconversou sobre a trajetória da taxa básica de juros, a Selic. “Vamos ver o que o Copom vai decidir”, disse.

Desde março, o Comitê de Política Monetária (Copom) já elevou a Selic em 1,75 ponto porcentual, e o mercado financeiro especula até onde os juros serão elevados. No relatório Focus, divulgado ontem, o mercado aposta que a Selic será elevada a até 9,75% ao ano.

Ao comentar os indicadores de inflação, o diretor de Política Econômica deixou a porta aberta a eventuais reduções nas estimativas de IPCA. “É importante lembrar que há um processo em curso de ajuste das condições monetárias”, disse Araújo. “Vamos trabalhar para trazer a inflação para baixo.”

No relatório, o BC apontou que uma das incertezas que residem sobre a trajetória da inflação nos próximos meses e o reajuste da gasolina. Nas projeções, o BC estima em 5% a alta de preços da gasolina ao longo deste ano, e 2,15% já foi registrada entre janeiro e agosto.

O BC também reduziu a projeção de crescimento da economia brasileira neste ano. No relatório anterior, de junho, o BC estimava alta de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB), o que igualaria o melhor resultado na gestão Dilma, de 2011. Ontem, no entanto, essa projeção foi reduzida a 2,5%. “Indicadores antecedentes sugerem desaceleração do crescimento 110 terceiro trimestre”, diz o BC. “Por outro lado, a atividade tende a ganhar tração no último trimestre.”

Salários

Um dos fatores que têm segurado a economia é, também, um dos “vilões” da persistente alta dos preços. Os seguidos aumentos salariais têm mantido aquecida a demanda das famílias, movimento que precisa ser “moderado”, segundo o diretor de Política Econômica do BC.

“A moderação salarial é um elemento-chave para que se tenha estabilidade macroeconômica”, disse Araújo, para quem “não pode existir descasamento muito grande entre inflação de salários e de bens e serviços”. De acordo com o diretor, o “ideal” é que essa diferença seja “exatamente igual à alta da produtividade”.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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