Custos elevados afugentam investidores: Leia o editorial do “Estadão”

Numa amostra de 54 países, o Brasil ocupa o 13.º lugar entre os mais caros para investir, segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Não se estranhe, pois, que a taxa de investimento – ou seja, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – tenha caído para apenas 18,1% do Produto Interno Bruto (PIB), no ano passado, muito inferior à necessária para que o País possa crescer a um ritmo sustentável de 5% ao ano, semelhante ao de outros emergentes da América Latina, como Chile, Colômbia e Peru.

O trabalho do Iedi inspira-se na Penn World Table, elaborada pelo Centro de Comparações Internacionais na Universidade de Pennsylvania. Os dados são disponíveis até 2010 e mostram que é mais caro investir numa fábrica no Brasil do que na Índia, na Rússia, na África do Sul ou no México – entre nossos concorrentes diretos -, ou até em países desenvolvidos.

“O Brasil ficou caro em relação a outros países”, disse uma consultora do Iedi, Cristina Reis, ao jornal Valor. “Num contexto em que as empresas operam cadeias produtivas globais e escolhem onde vão se instalar, os investidores olham o Brasil e decidem ir para outro lugar”, afirma a especialista.

Se a necessidade de aumentar os investimentos é crucial para países desenvolvidos, ainda mais o é para o Brasil, cuja indústria mostra capacidade decrescente de competir com os importados.

Ser atrativo para os investidores é objetivo global. Suécia, Estados Unidos, Canadá e Austrália ocupavam os primeiros lugares entre os mais caros para investir, conforme o ranking de 1985. Em 2010, no entanto, só a Suécia figurava nessa lista – e havia caído do 1.º lugar para o 3.º lugar. Entre os menos desenvolvidos, apenas a Venezuela esteve nas duas listagens dos mais caros – dada a desordem institucional criada pelo chavismo, que onerou os investimentos.

A atração de investimentos depende de um mercado interno forte, juros módicos, oferta satisfatória de mão de obra qualificada, além de um bom ambiente macroeconômico, com instituições sólidas, que inspirem confiança nos investidores. Agências reguladoras com independência em relação ao governo ajudam muito. Os países desenvolvidos – onde investir é muito caro – oferecem o diferencial da infraestrutura. Não basta, assim, que o Brasil tenha um amplo mercado interno. Deve entender que o investimento depende da perspectiva de lucro – e este, por sua vez, depende do custo.

Fonte: O Estado de S.Paulo

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