Leitura: João Batista Oliveira critica problema estrutural de bibliotecas no Brasil e chama atenção para atuação civil

Pesquisa promovida pelo Instituto Pró-Livro (IPL) revelou que cerca de 75% dos brasileiros nunca estiveram em uma biblioteca. Os dados foram divulgados pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. Segundo o Instituto, 71% dos entrevistados afirmaram saber da existência de uma biblioteca pública em sua cidade e ter fácil acesso a ela. A pesquisa revelou também que 8% dos brasileiros vão à biblioteca frequentemente, enquanto 17% o fazem esporadicamente. Além disso, o uso frequente desse espaço caiu de 11% para 7% entre 2007 e 2011.

João Batista Oliveira

João Batista Araujo e Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, ONG promotora de políticas práticas de educação, contestou a real facilidade de acesso às bibliotecas no Brasil: “Primeiro temos que entender o que é fácil acesso, saber mesmo a veracidade desses números. Eu não sei quantas bibliotecas tem no Brasil, mas acredito que a maioria das cidades brasileiras não possua”. O especialista citou a capital federal, Brasília, como exemplo: “Lá tem duas bibliotecas e 800 quilômetros de ruas. Neste caso, este dado (de que 71% da população tem fácil acesso às bibliotecas) para mim não procede. A biblioteca da UNB, por exemplo, é restrita aos alunos e professores. Não é algo que serve para a população. O acervo de livros para crianças de 0 a 6 anos é praticamente zero”, afirmou.

João aponta um problema estrutural de bibliotecas no Brasil, mas não acredita que este seja o problema prioritário: “A grande questão é que as pessoas não têm o hábito de ler. Há a necessidade de demanda por leitura e não oferta. É muito mais fácil criar biblioteca que criar o hábito de ler. O estudo aponta que as pessoas consideram a biblioteca como um lugar para estudantes, sinal de que a escola é ineficiente no incentivo à leitura”.

O especialista acredita na importância de outras instâncias sociais no que se refere ao incentivo da leitura: “As OSCISP, clubes, igrejas, imprensa etc devem pensar em formas de facilitar em aumentar a demanda por leitura. A oferta é posterior”, finalizou.

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1 comment

  1. Regina Caldas

    “O hábito faz o monge” : Colocar o bebê em contato com livros de imagens coloridas, para que ele comece a formar uma ideia de que guardado no interior de uma capa bem feita há um tesouro a ser descoberto. Criar pequenas salas de leitura dentro das escolas…Levar as crianças a passeio nas bibliotecas públicas…incentivar os moradores das pequenas cidades a doarem livros para a formação de bibliotecas comunitárias..Estas são ações que ajudam a formar o leitor do futuro.