Mais da metade dos brasileiros prevê piora na economia em 2015

Segundo pesquisa, 55% esperam deterioração do cenário. Oito em dez esperam inflação mais alta

A combinação de fatores como inflação em alta, aperto nos juros e mercado de trabalho em desaceleração fez as expectativas do brasileiro para a economia piorarem em janeiro, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste domingo. De acordo com o levantamento, realizado entre 3 e 5 de fevereiro, 55% dos entrevistados acreditam que a situação econômica do país vai piorar — maior percentual desde dezembro de 1997, quando a pergunta começou a ser feita na sondagem.

O aumento do pessimismo foi súbito, indicando que o brasileiro reagiu mal às notícias do início do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. No início de dezembro, a parcela dos que previam uma piora do cenário era de 33%. Em 21 de outubro, 44% esperavam uma melhora na situação econômica.

Nem após a crise financeira global, entre 2008 e 2009, a expectativa foi tão baixa: naquela época, o percentual dos pessimistas subiu levemente de 20% para 24%, para cair depois a 15%.

A piora das expectativas foi influenciada principalmente pela percepção de inflação no país. A pesquisa mostrou que 81% dos entrevistados espera que a alta de preços piore neste ano. Em dezembro, o percentual era de 54% e, em outubro, de apenas 31%.

Ao mesmo tempo, aumentou a parcela dos que acham que o poder de compra dos salários diminuirá, de 34% para 57%. A percepção tem impacto direto na atividade econômica do país: mais endividados e com a renda corroída pela inflação, brasileiros compram menos, derrubando o consumo das famílias, que já foi, há alguns anos, um dos motores do crescimento do país.

O pessimismo em relação à inflação é compartilhado por analistas do mercado e até pelo próprio Banco Central, que admite que o IPCA, índice que mede a alta de preços oficial no país, só voltará à meta de 4,5% em 2016. Na semana passada, o IBGE divulgou que o indicador subiu a 1,24% em janeiro, maior taxa desde 2003. No acumulado em 12 meses, já ultrapassa os 7%.

A pressão inflacionária deste ano deve vir principalmente dos chamados preços administrados, controlados pelo governo. Com a crise energética, a tarifa de luz mais de 26%, segundo estimativa do BC. Já a gasolina já sofre o impacto do aumento de impostos sobre combustíveis e registra alta de 8% nas bombas, apesar do petróleo barato no mercado internacional. Isso porque, no passado, a Petrobras manteve preços abaixo da média mundial, justamente para conter a inflação.

Mais de 60% esperam mais desemprego

Além do peso maior no bolso, o brasileiro também está preocupado com o mercado de trabalho. De acordo com o Instituto Datafolha, 62% acreditam que o desemprego vai piorar neste ano. O percentual é o dobro do registrado na pesquisa de dezembro, quando 39% esperavam piora no cenário. O pessimismo só é comparado à pesquisa de março de 2009, na esteira da crise, quando 59% esperavam aumento no desemprego.

Fonte: O Globo

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