Quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
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Consumidores acreditam que economia vai piorar

Pesquisa do SPC mostra forte deterioração nas expectativas dos consumidores nos últimos quatro meses

O pessimismo aumentou entre os brasileiros rapidamente e mais da metade (56%) acredita que a situação da economia neste ano será pior do que foi em 2014. Em março, a fatia de consumidores que apostavam numa deterioração da conjuntura era bem menor e estava em 47%, segundo pesquisa nacional do SPC Brasil e da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL).

“Em apenas quatro meses houve uma forte deterioração das expectativas do consumidor, o aumento foi de quase dez pontos porcentuais no pessimismo”, afirma Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil e da CNDL. A pesquisa consultou cerca de 600 consumidores nas 27 capitais brasileiras na 1ª quinzena de julho.

A piora da percepção do brasileiro em relação à economia foi resultado de um cenário ruim para o emprego, a renda e o endividamento. Entre aqueles que acreditam no agravamento do cenário econômico, 61,3% consideram que a sua situação financeira hoje é pior do que no segundo semestre do ano passado. E o endividamento encabeça a lista de razões para péssimo desempenho financeiro (30,7%), seguido pela queda na renda corroída pela inflação (15,4%) e pelo aumento do desemprego (15,2%).

Marcela diz que o reflexo desse pessimismo aparece no consumo das famílias que neste ano deve registrar a primeira queda desde 2003.

O comportamento mais cauteloso nas compras fica nítido nas respostas do que os consumidores pretendem fazer para economizar nos próximos meses. Segundo a pesquisa, quase a metade (47,7%) vai deixar de consumir itens tidos como supérfluos. Nas classes mais abastadas, A e B, essa decisão foi apontada por 58,3% dos entrevistados.

Outra saída para atenuar o impacto da crise é reduzir as compras parceladas, apontada em média por 44,7% dos entrevistados, e com destaque para as classes de menor renda, C e D, com 48,3% das respostas.

Substituir a compra de itens de marcas caras por outras mais baratas também aparece como uma alternativa para administrar a crise, apontada por 29,7% dos entrevistados. Essa prática ganha mais relevância especialmente entre as classes A e B, com 36,5% das respostas.

A cautela dos consumidores na hora de ir às compras aparece também quando se avalia os itens que lideram a intenção de consumo neste semestre. Segundo a pesquisa, sete em cada dez entrevistados planejam comprar algum artigo de vestuário nos próximos meses. Já a fatia de interessados em levar para casa um eletrodoméstico, um eletrônico ou um móvel, geralmente produtos de maior valor, é de 38%, aponta a pesquisa. “Trata-se de um circulo vicioso: os consumidores compram menos e isso gera queda nas vendas e amplia o desemprego na economia”, diz Marcela.

Pais– O reflexo do maior pessimismo deve aparecer no Dia dos Pais. Pesquisa do SPC Brasil aponta que 44% dos filhos planejam gastar menos com a data neste ano em relação ao desembolso em 2014 e mais da metade (53,3%) pretende pagar à vista. O valor médio do presente será de R$ 119,83.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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