Mais de 70% dos venezuelanos consideram que existe crise econômica

Dos quatro principais problemas do país, três são relacionados à economia; insegurança é o que mais preocupa

O governo nacional se empenha em responsabilizar os empresários pela situação da economia. Mas a mensagem não coincide com a interpretação da maioria da população: sete em cada 10 venezuelanos consideram que existe uma crise econômica.

Os números são do estudo “Venebarómetro”, realizado por Croes, Gutiérrez & Asociados. Os entrevistados responderam à pergunta: “Algumas pessoas dizem que se vive uma crise econômica no país . Quão de acordo ou em desacordo você está com essa afirmação?”. Das respostas, 72,9% se agrupam entre as opções “muito de acordo” e “de acordo” e 25,1% se identificaram com as alternativas “em desacordo” e “muito em desacordo”.

Uma cifra tão elevada supõe que tanto pessoas da “oposição” como os apoiadores do governo coincidem na avaliação sobre a realidade econômica. O estudo mostra que 53,5% das pessoas do “oficialismo” estão de acordo com a existência de uma crise econômica, enquanto entre os opositores a porção é de 88,4%.

A sondagem realizou 1.200 entrevistas entre os dias 17 e 18 de janeiro, processadas pelo Instituto Venezuelano de Dados (IVAD). A margem de erro é de +/- 2,37%.

Outros elementos confirmam a preocupação da população com o rumo econômico. Ao serem consultados sobre a situação econômica do país, até 62,2% das pessoas creem que se move entre “muito ruim”, “ruim” e “regular para ruim”.

Essa avaliação é menor em relação à realizada em novembro do ano passado, quando até 70,7% dos consultados opinava que a situação econômica era negativa. Apesar de o “efeito Daka” (a redução dos preços de produtos como eletrodomésticos promovida por Maduro) ter parado essa tendência, observa-se que na medição de janeiro entre as classes C e D da população 60,6% e 59,2%, respectivamente, qualificam como negativa o cenário econômico.

Ao ser perguntados sobre o quanto tem sido afetados pela crise econômica, 77,9% dos pesquisados oscilam nas respostas “muito afetado”, “afetado” e “um pouco afetado”.

Principais problemas

O estudo Venebarómetro reflete que, dos quatro principais problemas do país, três estão relacionados a aspectos econômicos. O mais mencionado é a insegurança, destacado por 80,8% dos entrevistados. A escassez e o desabastecimento de alimentos preocupam 63,8%; o alto custo de vida, 40,3%; e o desemprego, 21,1%.

No caso dos que se definem como partidários do governo, até 78% mostram preocupação com a insegurança e 61,6% com o desabastecimento.

No caso da escassez, a pesquisa vai mais além. Ao perguntar qual frase descreve melhor a situação dos entrevistados quando vão ao mercado, 68% deles se identificaram com as sentenças “embora procure em vários lugares, não consigo tudo o que preciso” e “embora procure em vários lugares, consigo muito pouco o que preciso”. Somente 2,1% afirmou “consigo tudo que preciso”.

Ao serem consultados sobre a possibilidade de uma “agitação social” caso continue o “desabastecimento, a má situação econômica” e o preço da gasolina e de outros serviços aumentem, até 73,8% dos entrevistados veem como factível essa “agitação social”.

A pesquisa também lança luzes sobre as possíveis soluções para a crise econômica e para a avaliação sobre algumas medidas econômicas. Dos entrevistados, 80,4% estão de acordo que o presidente da República “deveria convocar e negociar com os empresários, produtores e comerciantes para a melhoria da situação da inflação, escassez e desabastecimento”.

A percepção da população sobre o papel dos empresários é favorável. Ante a pergunta “Como você qualifica o trabalho dos empresários venezuelanos para o bem-estar do país?”, 63,2% respondeu que é positivo, enquanto 31,8% o avaliou como negativo.

Sobre algumas decisões do Executivo nacional, no entanto, não há uma opinião favorável. Este é o caso do aumento a taxa de câmbio para a porcentagem viajante, decisão rejeitada por 78,4% dos entrevistados.

Fonte: O Globo

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