Marcelo Mejlachowicz – A proposta da Veduca e as novas possibilidades do ensino

O Podcast Rio Bravo entrevista Marcelo Mejlachowicz, CEO da Veduca.

Os cursos abertos massivos online, ou MOOCs, representam uma nova fronteira na área de ensino no Brasil e no mundo. Por aqui, uma das iniciativas que mais tem atraído estudantes, profissionais do mercado de trabalho e empresas é a do Veduca, que desde 2011 tem sido uma das principais referências no país nesse segmento. Na entrevista, Marcelo Mejlachowicz fala dos fundamentos da empresa, realçando que se trata, sim, de um negócio, mas que tem como um dos seus objetivos impactar positivamente a vida das pessoas por meio de conteúdos educacionais. Nesse sentido, um dos destaques dos cursos da Veduca é a sua gratuidade, num modelo que se assemelha à estratégia de iniciativas como o Coursera, um dos exemplos para os Moocs no mundo inteiro. Ao ser questionado de como o negócio se sustenta, tendo em vista a gratuidade dos conteúdos, o CEO da Veduca observa: “nós trabalhos com os seguintes modelos: a conversão de alunos que preferem a opção certificada e o lado empresarial tanto de venda direta quanto de parcerias”.

Rio Bravo – Quando o Veduca surgiu, a formatação dos cursos no estilo MOOC ainda era uma novidade, principalmente no Brasil. De lá para cá, essa modalidade de cursos tornou-se mais presente no tocante à oferta. Como vocês perceberam essa mudança? De alguma forma vocês se beneficiaram dessa expansão?
Marcelo Mejlachowicz – Acho que quando a gente começou, em 2011, que a gente teve a ideia original, o que existia muito eram as aulas gravadas. As grandes universidades dos Estados Unidos já estavam no processo de gravar as suas aulas, que foi uma batalha inclusive, muita gente não queria, mas venceram essa batalha, todas gravavam aulas e deixavam o professor, deixavam a aula correr normalmente, aquilo ficava uma hora e já era um acesso à uma informação que antes era muito restrito a um grupo pequeno. E, quando começaram os MOOCs, era muito isso, eram muito as aulas gravadas, a primeira experiência de tirar da sala de aula esse conhecimento e levar para o vídeo. E aí em 2012, com o surgimento dos MOOCs, o pessoal foi entendendo que era possível desenhar uma aula desde o princípio pensando que esse aluno ia consumir esse conteúdo online. Então você começou a mudar os paradigmas de “Eu não vou colocar uma aula de uma hora de duração, eu vou quebrar isso em duas menores”. E na época eram pílulas de 15 minutos. Hoje, a gente está falando de muito menos. A gente pode colocar a aula com elementos gráficos que suportem isso. A gente pode roteirizar essa aula. Então foi uma evolução muito bacana e muito rápida de sair desse primeiro momento onde as aulas eram gravadas para aulas feitas para a pessoa consumir na frente de um computador, de um tablet, de um celular. O que a gente tem visto, esse movimento tem acelerado, principalmente em algumas vertentes. Uma delas é onde as pessoas estão consumindo esse conteúdo. Em 2015, e até antes disso, só 20% das pessoas acessavam o Veduca no celular. Esse número em 2016 foi 40%, e em 2017 esse número está em 60% já. Então a gente começa a ver que as pessoas estão mudando a forma de consumir esse conteúdo e essa nova forma de formatar as aulas com pílulas curtas e informação mais concisa está perfeito para o mundo de hoje, que é muito mais mobile. Então eu diria que essa tendência é uma tendência natural que a gente tem seguido, em alguns casos liderado. Quando a gente começou, praticamente não existiam os MOOCs no Brasil, a gente foi o pioneiro nisso. Então a gente gosta de pensar que a gente colocou nosso grãozinho de areia para ajudar esse movimento a ganhar força no Brasil. A oferta é infinita, então a gente tem muito conteúdo sendo produzido nesse formato, e aí cada um com seu diferencial de público.

Rio Bravo – A Veduca tem parcerias com instituições como a USP. Você acredita que esta é uma tendência para as universidades de um modo geral? Ou seja, buscar associação com iniciativas como a Veduca?
Mejlachowicz – Acredito que sim, porque a gente começa a entender que existem papéis diferentes. Então eu vou dar um passo para trás. Quando os MOOCs começaram, em 2012, a gente lia muito artigo sobre o medo das universidades em relação aos MOOCs. Muita gente pensava: “Vai chegar o MOOC e ele vai roubar os alunos das universidades, vai substituir o professor”. E, com o passar do tempo, a gente foi vendo que essas profecias não foram tão dramáticas como poderiam ser. A gente foi vendo as universidades entenderem que os MOOCs têm um papel importante, inclusive para ajudar as próprias universidades a melhorar as aulas e a forma como as aulas são dadas. Vou te contar um caso daqui a pouco. Então, o que a gente tem visto é, sim, as instituições têm buscado mais associações como o Veduca, e aí nos Estados Unidos tem alguns outros, porque elas entendem que existem papéis. A universidade muitas vezes entra com o conteúdo, entra com know-how, entra com conexão com profissionais de mercado, mas existe uma parte de plataforma, de conhecimento. Um diferencial nosso do Veduca é que a gente faz a produção. A gente entra com estúdio, com profissionais de design, roteiristas, editores, tudo que precisa para produzir um conteúdo de qualidade, e muitas vezes a universidade não tem esse know-how. Então, ela consegue entender que existe uma parceria e que essa parceria pode ser muito frutífera. Tem casos superbacanas, por exemplo, dessa parceria. A gente tem um curso de gestão de projetos, que é um dos nossos cursos mais populares, e a gente ficou superfeliz em junho quando a gente foi convidado pelo grupo de São Carlos, da USP São Carlos, da Escola de Engenharia, para ver como eles estavam usando esse curso do Veduca dentro da USP São Carlos especificamente como parte da grade curricular da Engenharia e do curso de Gestão de Projetos. Então a gente ouve o conceito de sala de aula invertida, essa coisa da teoria a gente conseguiu ver na prática o que é isso. E o que é essa aula invertida? Os alunos já não têm na sala de aula teoria. Como era a sala de aula normal? Você chegava na sala de aula, o professor escrevia um monte de teoria no quadro, você ficava copiando aquilo o tempo inteiro, depois você estudava em casa. O conceito da sala de aula invertida é: “Eu vou te dar a teoria antes”. E, no caso da USP São Carlos, essa teoria é no Veduca. Então o pessoal fala: “Não tem teoria aqui na sala, vocês estudem no Veduca, se preparem, porque na aula a gente vai discutir um estudo de caso, a gente vai discutir dúvidas, mas não tem mais teoria”. E aí foi superlegal quando a gente chegou lá, porque a gente viu a sala de aula totalmente diferente. O professor no centro da sala de aula, grupos de alunos em mesas ao redor desse professor e o que ele fazia era tirar dúvida. Os alunos tinham um projeto que eles estavam trabalhando e eles usavam a teoria que eles aprenderam no Veduca para conseguir depois melhorar esse projeto em sala de aula. Então imagina o poder que você tem e a universidade começa a entender isso, que o Veduca não substituiu o trabalho do professor. Pelo contrário. Ele melhorou o trabalho desse professor que agora virou um tutor. Virou uma pessoa que realmente agrega valor para aqueles alunos. Em vez de ficar repetindo e gastando 60%, 70% do tempo dele ou dela passando conteúdo. Então a gente começa a ver que as universidades estão procurando cada vez mais essa parceria, os professores estão vendo valor também nisso como forma de levar conhecimento de qualidade. Então a gente está vendo essa procura aumentando e uma abertura muito maior para sentar e conversar do que a gente tinha em 2012 e 2013.

Rio Bravo – Você mencionou o curso Gestão de Projetos. Como vocês selecionam, definem os cursos que vão fazer parte do catálogo oferecido por vocês?
Mejlachowicz – Essa é uma excelente pergunta, porque a gente começou o Veduca e muitos cursos que a gente tem hoje no portfólio vieram do passado, de 2013 e 14, quando a gente queria falar sobre engenharia. A gente tinha vontade de falar de temas que eram muito perto dos fundadores. Então eu sou engenheiro, os outros fundadores originais também eram engenheiros ou cientistas de computação e eu acho que a gente acabou indo por essa linha editorial de conteúdo. Mas justamente agora na semana tem uma história interessante que a gente relançou o Veduca em janeiro de 2017 com reposicionamento de marca e reposicionamento da empresa como tal sendo um negócio social, um negócio… Ele é um negócio, então ele tem o propósito de gerar lucro, mas um compromisso de reinvestir o lucro inteiro na empresa para fazer a empresa crescer com mais conteúdos. Esse posicionamento é recente, é de janeiro de 2017, e a gente também revisou qual é o propósito por que a gente existe. Eu acho que isso vai muito em linha com que conteúdos a gente quer criar, e o que a gente discutiu bem recente é: a gente quer capacitar agentes transformadores de governos, empresas e novos negócios. Então quando a gente pensa quais são os cursos que a gente quer criar, é pensando nisso, pensando como a gente melhora o governo, as pessoas que querem mudar o governo, como a gente pensa em pessoas que estão em empresas que querem mudar as empresas de dentro e ajudar os empreendedores que querem criar novos negócios. Então essas são as três linhas de frente que a gente tem para criar novos conteúdos para o futuro.

Rio Bravo – Os cursos que vocês ofereciam antes de alguma forma eles contrastavam com essa proposta e vocês tiveram a decisão de mudar essa agenda? Foi isso?
Mejlachowicz – Não, os cursos estavam numa vertical só. A gente estava com o foco muito grande nas empresas, então a gente pensava muito em profissionais, pessoas que buscam carreira. Inclusive é interessante a gente ver na pesquisa quem é o público atual do Veduca, né. A gente olha quem são as pessoas que entram no Veduca, 70% são pessoas que trabalham. Muitas vezes trabalham e estudam, mas a grande maioria são pessoas que trabalham em empresas, que já estão no mercado de trabalho. É o público mais velho, na média nosso aluno tem 33 anos, é um aluno que está distribuído quase que de forma igual entre classes C, D e E e classes A, B. Então a gente tem 50% C, D, E e 50% A, B. É um público estudado, é um público que 23% dos nossos alunos têm pós-graduação, 30% têm ensino superior completo e uns 20 e poucos % estão atualmente estudando. Então mais de 70% dos alunos têm superior incompleto ou mais do que isso. Então a gente tinha um recorte muito específico, a gente falava muito de cursos para empresas, e o desafio que a gente se colocou é se a gente quer realmente transformar o Brasil pela educação, por esse acesso a conteúdo de qualidade, a gente não pode se limitar somente a empresas. A gente tem que falar com pessoas que querem mudar o governo, com pessoas que querem criar novos negócios também. Então acho que é mais ampliar o que a gente tem hoje do que um contraste necessariamente com o que a gente tem.

Rio Bravo – Qual é o feedback que vocês recebem dos estudantes, do público de vocês, sobretudo sobre iniciativas como a sala de aula invertida, por exemplo?
Mejlachowicz – A gente faz muita pesquisa. Uma das maravilhas dos MOOCs é que a gente tem acesso a muitos dados. A gente recentemente começou uma pesquisa no início do curso. A gente fazia pesquisa no final para medir a qualidade, e a gente começou a pesquisar os alunos que entram no curso. A gente colocou essa pesquisa em campo há menos de duas semanas, a gente está com 12.500 respostas já. O acesso a dados é fenomenal. Quando a gente pensa se os alunos estão felizes ou não, acho que são dois desafios que a gente pode elencar. O primeiro é: a gente tem o desafio de engajamento. Os MOOCs historicamente têm esse desafio porque muita gente faz o curso de graça, então no nosso modelo você pode fazer o curso gratuitamente e ter acesso a todo conteúdo, ou você pode escolher pagar uma taxa inicial, no nosso caso a maioria dos cursos custa R$ 49, e você tem acesso a um certificado se você passar em uma prova no final. Então a gente separa os dois: as pessoas que começam gratuitamente e as pessoas que pagam. De quem começa gratuitamente, você tem um número muito alto de pessoas. Desde o relançamento de janeiro, a gente está com 750 mil alunos mais ou menos. A taxa de conclusão dos alunos gratuitos é baixíssima. A evasão é altíssima. Muito pouca gente que começa gratuitamente completa. As pessoas tipicamente falam “que legal, vou estudar”, e começam a ver que estudar de verdade é difícil, que um curso de Gestão de Projetos requer um estudo, requer dedicação, e você começa a ver uma evasão muito alta. Então acho que esse é o primeiro desafio que a gente tem quando a gente pensa em qualidade e feedback dos alunos, é como a gente aumenta o engajamento dessas pessoas. Quando a gente pensa nos alunos que pagam, obviamente a evasão é muito menor, então a gente tem uma taxa de conclusão na casa de 40%, o que é um número já decente. E aí fazendo um recorte dessas pessoas que completam o curso, o que a gente vê? Eles gostam muito da experiência. A gente mede o NPS, que é o Net Promoter Score, que é aquela métrica de recomendação, o nosso NPS atualmente está em 86, que é um número muito, muito bom. A gente fica com muito orgulho dele. E a outra métrica que a gente pergunta para os alunos é: “Você compraria um segundo curso do Veduca? ”, e a nossa taxa é de 99% falando que compraria outro curso nosso. Então as métricas de qualidade são boas, mas a gente acha que é muito crítico, a gente tenta pensar o que a gente pode aprender. Acho que muito do feedback que a gente tem recebido é: os alunos buscam vídeos mais curtos, mais dinâmicos, cada vez mais, é impressionante. A gente já tem conteúdos curtos, mas os alunos querem mais dinamismo, querem mais novidade, da forma como a gente está levando esse conhecimento. Os alunos gostam muito, ficam felizes coma experiência no geral, mas eles procuram muito esse dinamismo, porque acho que a vida deles está muito dinâmica.

Rio Bravo – O fato de esse aluno não estar em sala de aula de alguma forma está relacionado a essa alta taxa de evasão?
Mejlachowicz – A gente acha que sim e não. Obviamente existem estudos que mostram que as pessoas aprendem mais em grupo. Então quando você tem a motivação de estar com outras pessoas, existe a tendência de aumentar a taxa de conclusão e diminuir a taxa de evasão. Mas, por outro lado, o que a gente começa a ver é, as pessoas que estudam sozinhas, quem quer fazer, quem tem o objetivo claro no início do curso… Então as pessoas que declaram desde o começo “eu quero fazer esse curso, porque eu quero pegar um trabalho melhor, eu quero ter um aumento, eu quero ter mais responsabilidade com o trabalho”, essas pessoas têm uma taxa de conclusão altíssima, porque elas têm um propósito claro desde o início. Então acho que tem menos a ver com o fato de ela estar sozinha ou não e mais a ver com a motivação que ela tem para fazer aquele curso. A tecnologia tem que ajudar, a plataforma tem que ajudar, porque estudar sozinho é um desafio, mas acho que cada vez mais a tecnologia pode ajudar a tirar um pouco esse negativismo que existe em estudar sozinho e ajudar esse aluno a estar mais conectado, seja via grupos de discussões, fóruns…, mas na nossa humilde opinião, a gente acredita que muito tem a ver com a motivação do indivíduo, o indivíduo querer. E muito interessante, 60% dos alunos inicialmente respondem que querem aprender por curiosidade. De quem termina o curso, 40% fala que quer um trabalho melhor, 30% fala que quer conseguir um trabalho. A motivação de quem começa assim é muito grande para terminar.

Rio Bravo – Num momento de crise de empregabilidade, qual é a principal demanda dos alunos quando vêm buscar um curso como esse?
Mejlachowicz – A gente tem uma pesquisa de temas que os alunos procuram, que eles gostariam de saber, e de longe são temas relacionados à gestão, gestão no seu sentido mais amplo. Você pode ter gestão de negócios, de projetos, de pessoas, mas em geral são pessoas que querem se capacitar no tema amplo de gestão. Aí depois você tem administração, marketing, finanças, RH. Então, o que a gente vê são esses temas que ajuda a pessoa na empresa a ter um trabalho melhor ou conseguir um trabalho. É interessante ver… A gente viu uma mudança, por exemplo, o nosso público de 1 ano e meio para cá ficou mais velho, aumentou a idade média. A gente acredita que tem muito a ver com pessoas que estão procurando um trabalho, que em momento de crise querem se recolocar ou que estão se sentindo ameaçadas no trabalho atual e querem estudar para garantir que elas consigam ser mais competitivas. A gente começou a ver uma procura maior por empreendedorismo, isso é bem recente. Pessoas que talvez estejam pensando nisso como uma forma de mitigar a crise ou conseguir uma segunda fonte de receita.

Rio Bravo – Nesse sentido, a oferta de certificado, que é uma experiência que iniciativas como o Coursera fora do Brasil fazem, o quanto isso agrega valor à experiência do Veduca no Brasil?
Mejlachowicz – Os MOOCs foram se reajustando de modelos e eu acho que todos foram chegando num modelo onde o conteúdo é gratuito. Acho que essa é parte do propósito de todas as empresas que estão nesse mundo, nesse espaço. Mais do que o certificado, a gente está procurando o que que agrega valor. Hoje a gente está trabalhando com certificado, que é um modelo muito parecido com o do Coursera, mas a gente estava inclusive hoje revisando o projeto de estudar o que mais se considera como valor agregado. Então você tem desde tutoria até colocação no mercado de trabalho, correção de estudos de casos, tem N formas de empresas muito bacanas que estão já fazendo algumas coisas para aumentar esse valor agregado, sempre mantendo a essência que é o conteúdo, sim, vai estar disponível gratuitamente, porque tem gente que não pode pagar e a gente quer dar esse acesso. Dado isso, a gente perguntou: “Por que você quer um certificado? ”. E é interessante ver a divisão das pessoas. Você tem aí uns 20% mais ou menos do nosso público que são estudantes universitários e para eles o certificado é importante para horas complementares da faculdade, de alguma forma ajudar no currículo da faculdade. Os outros 80%, a gente divide mais ou menos igual. São pessoas que usam o certificado para conseguir um novo trabalho, então a gente começa a ver os nossos certificados sendo colocados em LinkedIn como uma qualificação. Então mais ou menos metade das pessoas falam que é para procurar um melhor trabalho. Isso o certificado ajuda. E a outra metade são pessoas que buscam o certificado uma mescla entre melhorar o currículo atual, mas sem uma necessidade clara de buscar um trabalho, ou satisfação pessoal. O brasileiro gosta muito de certificado, é interessante. Mais do que quando a gente compara com os Estados Unidos e Europa, o brasileiro gosta, busca muito a certificação para comprovar aquele reconhecimento.

Rio Bravo – O mercado tem reconhecido isso?
Mejlachowicz – Tem. Isso é muito gostoso de ver. A gente começa a ter empresas que chegam organicamente na gente e falam: “A gente gostaria de levar a certificação do Veduca para as minhas empresas”. Então a gente tem desde siderúrgica até o pessoal de usina hidrelétrica, bancos, que chegam e falam: “Eu tenho um curso de engenharia econômica que eu queria levar para o pessoal de finanças”, “Eu tenho um curso de fundamentos de administração que eu quero levar aqui dentro”, “eu tenho um curso de gestão de projetos e alguns outros”… E foi interessante porque não foi algo desenhado, mas é algo que vem pelo reconhecimento. Outro dia a gente olhou na nossa base e a gente começou a filtrar as pessoas de empresas que entram no Veduca para estudar mesmo sem um acordo formal com a empresa. Outro dia tinha uma empresa de seguros que tinha 15 funcionários fazendo cursos no Veduca, sem que o RH tivesse entrado em contato com a gente. Foi algo muito orgânico da própria empresa. Então a gente começa a ver esse movimento de as empresas reconhecerem que aquele certificado tem valor e acho que é nosso trabalho manter isso. Pensando em novos conteúdos, a gente vai, sim, atrás de trazer sempre estudos de caso, trazer essa conexão com o mercado, de garantir que a gente está ajudando a esses agentes transformadores a mudar as empresas, a ter empresas melhores ou a construir seus negócios. Tem esse trabalho de aproximação com o mercado. A gente acha superimportante, sem perder o que a gente acredita que é a formação um pouco mais acadêmica. É sempre um pé na instituição de ensino, então como você falou, a USP, a gente está conversando agora com pessoas da Unicamp, a gente fala com outras instituições de ensino no Brasil, manter o pé lá, mas sempre com a conexão com o mercado também. A gente acredita que é aí onde a gente consegue fazer a diferença.

Rio Bravo – Uma vez que os cursos são gratuitos, como esse modelo de negócio se sustenta?
Mejlachowicz – Uma excelente pergunta e tem sido o desafio dos MOOCs praticamente desde o começo. O que a gente tem visto é um modelo onde a gente tem um grande número de alunos que entram e buscam conteúdos gratuitos. E o que a gente tem é uma taxa de conversão de alguns alunos desses que entram gratuitamente que terminam optando pela opção certificada. No nosso caso, para dar alguns números, desde janeiro para cá, desde o relançamento, a gente tem uns 750 mil alunos mais ou menos e a nossa taxa de conversão está na casa dos 3%. Se a gente fizer uma conta burra, a gente está falando mais ou menos de 25 mil alunos que optaram pela opção certificado e, desses, uns 40% completam e têm o certificado até o final. O modelo se baseia em dois pilares. Um é essa conversão natural que vem desses alunos, então a gente tem que garantir que a nossa estrutura de cursos e os novos cursos caibam dentro dessa taxa de conversão, e obviamente a gente vai trabalhar para aumentar, para melhorar, para aumentar a quantidade de cursos que os alunos compram, mas esse é um grande pilar de sustentação desse modelo. E o segundo é o nosso lado corporativo, que são vendas de cursos com certificado para empresas. Então tem empresas que querem capacitar os colaboradores de forma dinâmica, deficiente do ponto de vista de custo e também bom do ponto de vista de qualidade, porque são conteúdos bons que a gente consegue levar para muita gente de uma forma barata. Então esse é um pilar importante para a gente. E por último eu diria que são empresas parceiras, que são empresas que compartilham com a gente essa vontade de transformar o Brasil por meio da educação e muitas vezes apoiam e bancam a certificação de forma que ela seja gratuita para a pessoa, para o aluno na ponta, mas a empresa paga por isso porque ela acredita que aquilo faz sentido. Então a gente trabalha com esses três modelos: a conversão direta de alunos gratuitos e o lado empresarial, tanto de vendas diretas como de parcerias.

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