Sábado, 10 de dezembro de 2016
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Marcos Lisboa: “Reforma da Previdência será traumática e custosa”

A reforma da Previdência será traumática e custosa, disse o diretor-presidente do Insper, Marcos Lisboa, na Conferência Anbima Cetip de Renda Fixa 2016 que acontece em São Paulo. Segundo ele, existe uma série de distorções no sistema de Previdência além da idade, como acúmulo de benefícios, que fazem com que a reforma seja um trabalho extenso e que poderia ter sido menos traumático se feita há 20 anos.

Ele mencionou ainda, entre os desafios que acompanham a reforma na Previdência, o déficit dos estados. “No curto prazo, outros 12 a 14 estados estão falidos, não temos uma agenda fácil pela frente”, comentou.

Lisboa destacou que o envelhecimento da população acontece em ritmo superior ao nascimento e entrada de pessoas no mercado de trabalho, comentando que o Brasil viveu uma mudança nesse sentido mais rápida do que a França teve em 120 anos e comparável à China. Ele citou que atualmente no Brasil, um casal tem em média 1,7 filho.

“O Brasil ficou velho antes de ficar rico”, afirmou, lembrando que em 15 anos o porcentual de trabalhadores vai se reduzir. “Os recursos gerados do ponto de vista demográfico foram desperdiçados”, acrescentou. Lisboa afirmou que existe hoje na sociedade reconhecimento do fracasso das escolhas dos últimos anos.

“Hoje a Previdência estar no debate é um avanço e reconhecer políticas adotadas erroneamente está também em discussão. Se o governo será capaz de conduzir e liderar é o que teremos de ver”, disse. Mas ressaltou que não está preocupado com 2017, mas com a garantia da retomada de crescimento sustentável de 3% ao ano e evitar uma trajetória da dívida pública que não leve à retomada da inflação, crônica semelhante à década de 1980.

Lisboa mostrou otimismo com as propostas “técnicas” que saem do governo. “Espero que a versão do governo que reconhece o problema tenha dominância no debate daqui para a frente”, afirmou.

Lisboa criticou o anúncio de reajuste aos ministros do Supremo. “É difícil imaginar desastre maior do que o governo conceder reajuste para a elite do setor público na semana em que o desemprego atinge um pico”, afirmou.

Fonte: “O Estado de S. Paulo”.

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