Especialista Marcos Troyjo acredita que o modelo chinês passa por um processo de amadurecimento e não de esgotamento

“Como os líderes chineses sabem, o atual modelo de crescimento é insustentável.”  Essa é a opinião do presidente do Banco Mundial (Bird), Robert Zoellick, a respeito da política econômica da China. Marcos Troyjo, especialista do Instituto Millenium e diretor BRICLab da Columbia University, pensa diferente.

Marcos Troyjo

Troyjo acredita que o modelo chinês passa por um processo de amadurecimento e não de esgotamento. “A China está passando por uma mudança de DNA. Desde 1978, ela tem um modelo baseado em quatro pilares: o acesso privilegiado aos principais mercados compradores, a baixa remuneração da mão-de-obra chinesa, o exitoso modelo de parcerias público-privada, sobretudo, no desenho da infraestrutura e a agressiva diplomacia empresarial. Esse modelo evolui.”

O especialista explica que apesar de ainda ter uma grande vantagem competitiva na mão-de-obra e no acesso a mercados, é verdade, também, que “com o arrefecimento da economia nos EUA e, sobretudo na Europa, o ímpeto exportador chinês vai perder um pouco do seu fôlego.”

Troyjo afirma que os chineses têm o fortalecimento do mercado interno com importante aliado contra a crise mundial. “Para esse fim, os chineses estão usando o gigantesco poder de compras governamentais”, esclarece.

Um estudo do Banco Mundial prevê a estagnação da economia chinesa caso o país não passe por reformas profundas e se transforme numa verdadeira economia de mercado.

Segundo Troyjo, há motivos para acreditar que o crescimento chinês continuará “impressionante” ainda por muito tempo. “ A poupança do setor corporativo representa 35% do Produto Interno chinês, então, a capacidade de reinvestimento das empresas é muito grande. Alia-se a isso o fato de a China ter cerca de 3,3 trilhões de dólares em reservas cambiais, que permite a ela incentivar determinados setores da economia e manter o seu crescimento.”

O relatório do Bird recomenda a consolidação dos princípios da economia de mercado como a principal forma de manter a estabilidade econômica na potência asiática. Troyjo não acredita que esse modelo será implementado na China. “Se por economia de mercado nós entendemos uma pequena participação do governo na economia, as forças de oferta e demanda operando como principal sistema para alocação de preços e de recursos, o papel do Estado como definidor das regras gerais e como uma instância que participa menos do dia-a-dia da economia, seguramente nós não vamos ter isso na China.”

O especialista diz que os chineses têm um interesse nacional bem definido. “Eles sabem que para manter uma taxa media de crescimento na linha de 7,5 e 8%, terão que fazer investimentos brutais em ciência e tecnologia e uma agregação de educação ainda maior da sua população. Tudo isso vai alterar o perfil da China como ator da globalização econômica.”

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