Mario Vargas Llosa comemora rejeição aos governos autoritários na América Latina

Em entrevista publicada pela revista “Época”, em 19 de abril, o escritor peruano Mario Vargas Llosa comemora a rejeição aos governos autoritários na América Latina, critica o governo de Cristina Kirchner e afirma que a presidente Dilma Rousseff não deveria apoiar a eleição de Nicolás Maduro na Venezuela.

Retomando o discurso da palestra “A era das incertezas”, realizada pelo Ibmec Rio em parceria com o Instituto Millenium, o vencedor do Nobel de literatura de 2010 destaca a importância do resultado da eleição da Venezuela – o candidato da oposição Henrique Capriles obteve 49,07% dos votos – para a consolidação da democracia sul-americana.

“A rejeição do populismo autoritário terá um enorme significado, não apenas para a Venezuela e os países semivassalos da Venezuela – casos de Nicarágua, Bolívia e Equador –, mas também para toda a América Latina. Isso dará um grande impulso à democracia. É um momento nevrálgico”, analisa.

Segundo Llosa, a presidente Dilma Rouseff não deveria apoiar a “fraude eleitoral” que levou Maduro ao poder. O escritor criticou a postura da presidente brasileira que, apesar de praticar a democracia internamente, mantém relações diplomáticas com regimes autoritários.

“Governos que praticam internamente a democracia agem de forma absurda quando se tornam cúmplices de governos autoritários, mesmo que seja para aplacar internamente seus radicais”, critica.

Cristina Kirchner

O populismo da presidente argentina Cristina Kirchner também foi alvo de preocupação e critica de Vargas Llosa. Para o peruano não faz sentido que um país como a Argentina, com um sistema educacional avançado, tenha um governo tão atrasado como o de Raul Castro e Nicolás Maduro.

Margaret Thatcher

Durante a entrevista, o autor de ”Conversa na catedral” também elogiou o legado da primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. Segundo Llosa, a transformação promovida por Thatcher foi extraordinária. “Com as privatizações realizadas com um critério eminentemente social. As empresas foram obrigadas a competir. Acabaram-se os subsídios, o clientelismo, os privilégios”, conclui.

Yoani Sánchez

Como defensor das liberdades individuais e do regime democrático, Llosa cita a blogueira Yoani Sánchez como uma importante representante dos ideiais democráticos no continente sul-americano.

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