Indicadores revelam queda da nota de crédito do país

Os ex-presidentes do Banco Central Arminio Fraga e Gustavo Franco, que participam nesta quarta-feira do seminário ’20 anos depois do Plano Real: um debate sobre o futuro do Brasil”, afirmaram que o mercado já rebaixou o rating do Brasil. Em explicações dadas separadamente, os dois disseram que os indicadores de risco soberano do país, que são mensurados pelos derivativos de crédito, já indicam o rebaixamento.

— O mercado já rebaixou o Brasil — disse Arminio a jornalistas à tarde ao final da sua participação no seminário.

O motivo para o rebaixamento é atribuído à atual maneira como é conduzida a política econômica, com impacto nos preços dos derivativos de crédito de calote brasileiro. Pela manhã, o ex-presidente do BC havia afirmado que a política macroeconômica do governo federal é “esquizofrênica” e que a “economia vive um momento de grande frustração e grave perigo”.

Para Arminio, os preços dos derivativos de crédito soberano já refletem “um ou dois rebaixamentos” em uma das agências de rating, que ele não quis cravar qual.

— Isso já está no preço, é fato — comentou.

Perguntados sobre se isso ocorrerá ainda no primeiro semestre, ou seja, antes da eleição presidencial, os ex-BC não quiseram determinar um prazo.

— Não quero profetizar. Mas está com jeito de ser no primeiro semestre — completou Franco.

As agências ainda não alteraram oficialmente a nota do Brasil, mas, no ano passado, houve uma ameaça de rebaixamento. Técnicos da Stardard & Poor’s, por exemplo, passaram os últimos três dias em reunião com economistas e empresários do setor privado sobre o atual quadro econômico. Na quinta-feira, eles iniciam uma série de encontros com autoridades do governo para definir se mudam ou não o rating atribuído ao país. O rating do Brasil pela agência é BBB.

Fonte: O Globo

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