Metade das obras da prefeitura do Rio está suspensa: são 93 intervenções paralisadas

O canteiro de obras que virou a cidade do Rio interrompeu seus trabalhos — e sem concluir tudo o que começou. Das 185 intervenções em curso no município, 93 estão paralisadas e tiveram o contrato suspenso. Juntas, elas correspondem a R$ 2,1 bilhões do orçamento total de R$ 6,5 bilhões contratados. De acordo com a Secretaria municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, a maior parte dos contratos suspensos é de obras de pavimentação e contenção de despesas.

— Por causa da crise, o prefeito anterior interrompeu a execução das obras em 2016 para não deixar restos a pagar em 2017 e não ficar inelegível — disse Indio da Costa, secretário responsável pela pasta.

A joia da coroa, no entanto, é o BRT Transbrasil. A Prefeitura do Rio é responsável pela obra da Passarela 2 da Avenida Brasil até Deodoro. Apenas 47% do trecho estão concluídos. Para a retomada das obras, no entanto, a prefeitura terá que resolver um impasse com o Consórcio Transbrasil — formada pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão e OAS, todas envolvidas na Lava Jato. O grupo pede R$ 85 milhões a mais: R$ 40 milhões em novos itens e R$ 45 milhões de reajuste do contrato.

— Como é um momento de crise, vamos renegociar esse reajustamento. Já os itens novos, pedi aos fiscais que participaram da obra desde o começo para me auxiliar. Depois vou conversar com as empresas e ver o que vai precisar — conta o secretário, que tem o prazo de até 1º de março, estipulado em decreto pelo prefeito Marcelo Crivella, para resolver que caminho tomará.

A obra abandonada virou abrigo para moradores de rua. Um grupo montou um barraco bem na subida do novo viaduto, na altura de Ramos, onde haverá a interligação com o Transcarioca (Barra-Aeroporto Internacional Tom Jobim).

Canteiro vira piscina

Um dos bairros mais afetados pela interrupção das obras foi Guaratiba. Em 2013, a Prefeitura do Rio anunciou que todo o bairro passaria por reformas — e o dividiu em 12 contratos. Desses, 11 estão parados. A previsão era de implantação de redes de infraestrutura, pavimentação e calçadas. Sem as reformas, os moradores estão sofrendo com enchentes nos últimos dias — veja detalhes ao lado.

— O que foi executado, foi mal executado. Hoje, a maioria das obras está parada e eles só dizem que é um recesso. Hoje mesmo uma moradora veio reclamar. Com essa chuva que deu no domingo, alagou a casa dela toda. Os moradores estão revoltados. Na verdade, não temos infraestrutura nenhuma — afirmou o presidente do Conselho Comunitário de Guaratiba e Região, Osvaldo Apóstolo.

Confira algumas obras paradas

BRT Transbrasil
O corredor começou a ser construído em novembro de 2014 e parou na véspera da Olimpíada para minimizar os impactos no trânsito da região. O ex-prefeito Eduardo Paes havia prometido retomá-las logo após os Jogos, mas não ocorreu até agora. O BRT Transbrasil deverá ter 28 quilômetros, com sete terminais (Deodoro, Margaridas, Missões, Fundão, Gasômetro, Américo Fontenelle e Presidente Vargas), 20 estações e 17 passarelas. A expectativa da antiga gestão era de que sejam atendidos 820 mil passageiros por dia.
Valor total: R$ 1,4 bilhões
Valor pago até agora: R$ 769 milhões

Túnel Noel Rosa
As duas galerias de 720 metros entraram em obras em agosto do ano passado, mas ela ficou pela metade. A via, que liga os bairros de Vila Isabel a Riachuelo, tem infiltrações, asfalto desnivelado e iluminação insuficiente. Mais de 30 mil veículos circulam pelo local por dia.
Valor total: R$ 21,6 milhões
Valor pago até agora: R$ 1,6 milhões

Bairro Maravilha
O programa Bairro Maravilha, programa anunciado em 2013, está parado em Guaratiba. O bairro entre 12 contratos para executar as reformas em 29 regiões do local. Desses, 11 estão suspensos. Ao todo, seriam 322 vias beneficiadas, em área total correspondente a 1,2 milhão de metros quadrados. O bairro reúne 110 mil moradores.
Valor total das obras: 354 milhões
Valor pago: 173 milhões

Radial Oeste
A prefeitura do Rio licitou uma obra para construir 100 boxes de oficina mecânica onde hoje é a Favela do Metrô. O projeto prevê baias de estacionamento, quadra polivalente e urbanização “proporcionando mais conforto e segurança aos usuários e beneficiando assim os moradores da região”, informa o edital.
Valor total: R$ 10 milhões
Valor pago até agora: R$ 700 mil

Fontes: Extra.

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