Segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
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Mão de obra em compliance vem de fora do país

As contratações para a área de compliance, impulsionadas desde o ano passado pela entrada em vigor da Lei Anticorrupção, ganharam mais fôlego em 2015 com os desdobramentos da Operação Lava Jato e a regulamentação da lei, em março. A procura maior expôs a falta de qualificação adequada desses profissionais, o que leva empresas a adotarem alternativas que vão desde treinamentos até a busca de especialistas no exterior.

Os requisitos são complexos – a começar pela formação dos profissionais, que atuam na adequação das companhias às regras do mercado. Eles precisam entender as particularidades técnicas do negócio da empresa e ter um profundo conhecimento das normas jurídicas da atividade. “É preciso um nível maior de maturidade, pois eles lidam com informações muito sensíveis”, diz Natasha Patel, diretora da consultoria Hays.

Especialistas e gerentes com mais tempo de carreira são os mais procurados e “bem cuidados” pelas empresas. É o que nota Ana Guimarães, gerente da empresa de recrutamento Robert Half. Segundo o guia salarial da recrutadora, a remuneração mensal varia de R$ 12,7 mil a R$ 19 mil.

Entre as grandes firmas de consultoria, as contratações para a área tiveram forte avanço este ano na Deloitte, na EY e na KPMG (procurada, a PwC não respondeu). Essas empresas apostam em programas internos de treinamento, mas este ano também tiveram de buscar especialistas fora do Brasil para suprir a demanda por cargos de liderança. A estimativa das companhias é de que o mercado ainda leve de três a sete anos para se equilibrar. “O Brasil não tem uma grande experiência nesse tema, tampouco preparação para esses profissionais”, diz Claudio Peixoto, sócio da KPMG.

Diretora de compliance no Walmart.com, Fay Diederichs veio dos Estados Unidos para chefiar a área criada em fevereiro na empresa – uma operação com estrutura independente do Walmart desde 2012. Só este ano, dez profissionais foram contratados para a equipe, porém não há perspectiva de novas admissões. “É preciso avaliar como o mercado se comporta”, diz a executiva.

Perfil

Recrutadores são unânimes em apontar discrição, flexibilidade e habilidade nos relacionamentos como características fundamentais para o profissional de compliance. E, apesar de o conhecimento em leis e normas ser pré-requisito, a formação em Direito não é. “Não existe graduação para esses profissionais. Eles acabam se especializando em cursos sobre o tema”, diz Alexandre Benedetti, diretor da Talenses.

Coordenador acadêmico do Insper, André Camargo diz que a procura pela extensão na área é crescente desde o ano passado: “Em um cenário de crise, o tema passa a ser importante também para as empresas que não tiveram problemas.”

Camargo afirma que ainda há grandes desafios para as universidades, como entender o que as empresas precisam e quem são os profissionais que procuram e ministram esses cursos no País.

Sócio da consultoria Flow, Bernardo Cavour diz que a função ganha cada vez mais status de consultoria. “A liderança pode estar sujeita a riscos que não são tão fáceis de se perceber”, diz. “A área ajuda empresas a identificar esses riscos.”

Fonte: O Estado de S.Paulo.

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