Na educação, metas difíceis de alcançar

O Brasil ainda não atingiu as metas de acesso à escola estabelecidas para 2015 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), que lança hoje relatório mundial para monitorar a situação em 205 países. O maior problema brasileiro está nas matrículas de pré-adolescentes de 11 a 14 anos, nas séries da segunda metade do Ensino Fundamental. A meta é que pelo menos 97% da população nessa faixa etária frequente as séries finais do fundamental. Em 2011, porém, o índice brasileiro estava em 71,2%.

Da mesma forma, a meta para as crianças de 7 a 10 anos prevê que 97% estudem nas séries iniciais do fundamental, mas o índice do Brasil não passava de 92,6%. Outra meta que o Brasil ainda não atingiu é relativa à disparidade entre meninos e meninas no acesso à escola. Embora as mulheres sejam maioria nas universidades e escolas brasileiras de ensino médio, o mesmo não ocorre nas séries iniciais do fundamental. Para cada 100 meninos matriculados nas séries iniciais, havia 91 meninas. Segundo a Unesco, a proporção mínima deveria ser de 97 meninas.

Os dados foram calculados pelo Inep, órgão vinculado ao MEC. Mas não constam no 11º Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos. É que a Unesco optou por não publicar as informações, devido a divergências entre dados populacionais fornecidos pelo Inep e pela Divisão de População das Nações Unidas. Dependendo do número de habitantes por faixa etária, as taxas de matrícula aumentam ou diminuem. Problema semelhante levou o governo brasileiro a reclamar no ano passado, na divulgação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

De acordo com o Inep, a meta de que pelo menos 80% das crianças tenham acesso à pré-escola também não tinha sido atingida em 2011, que é o ano-base do relatório. O Inep diz que essa taxa estava em 78,7%.

O Brasil continua sendo um dos dez países com maior número absoluto de analfabetos no mundo. Esse grupo liderado pela Índia, com 287 milhões de analfabetos, e a China (183 milhões) responde por 72% da população de 15 anos ou mais que não sabe ler nem escrever. O dado brasileiro mais recente estima que, em 2012, o país tinha 13,1 milhões de jovens e adultos analfabetos, 8,7% da população nessa faixa etária. A meta de reduzir a taxa pela metade até 2015 ainda não foi atingida.

O presidente do Inep, Luiz Claudio Costa, diz que o Brasil tem avançado e caminha para atingir pelo menos três das cinco metas: as de acesso à pré-escola, aos anos iniciais do Ensino Fundamental e de paridade de gêneros. Ele enfatizou que o Brasil já universalizou o acesso à educação, na medida que 98,2% das crianças de 6 a 14 anos estudam. O problema com relação às crianças de 11 a 14 anos, é que uma parcela delas está atrasada, isto é, frequenta a escola, mas não as séries finais do fundamental.

– Podemos ter crianças de 11 anos nas séries iniciais. Elas estão na escola, mas defasadas. Basta que tenham sido reprovadas uma vez para não ser contadas – disse Costa, que admitiu ter ficado surpreso com a maior presença de meninos do que meninas nas turmas iniciais e afirmou que pedirá um estudo aprofundado sobre o caso.

Fonte: O Globo

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