“The New York Times”: Petrobras luta para recuperar seu prestígio

Meia década depois da descoberta do pré-sal, estatal não consegue acompanhar as demandas de energia do país em crescimento

A produção de petróleo do Brasil está caindo, lançando dúvidas sobre o que deveria ser uma bonança. As importações de gasolina estão aumentando rapidamente, expondo o país aos caprichos dos mercados globais de energia. Mesmo a indústria de etanol do país, uma vez invejada como um modelo de energia renovável, teve de começar a importar o produto dos Estados Unidos.

Meia década se passou desde que os brasileiros celebraram a descoberta de enormes quantidades de petróleo em campos do pré-sal, gerando esperanças de que, em breve, o país se posicionaria entre os maiores produtores globais. Mas agora, um outro tipo de choque no setor de energia está se desdobrando: a empresa colossal, conhecida por sua força, não consegue acompanhar as demandas de energia do país em crescimento.

Atada a regras nacionalistas que exigem que a empresa compre navios, plataformas de petróleo e outros equipamentos de letárgicos fornecedores brasileiros, a gigante do petróleo está agora diante de uma dívida crescente, grandes projetos atolados em atrasos e antigos campos, uma vez prodigiosos, que estão produzindo menos petróleo. A generosa reserva submarina também permanece diabolicamente complexa para explorar.

Agora, em vez de simbolizar a ascensão do Brasil como uma potência global, a Petrobras encarna a lentidão da economia do país, que, depois de atingir um crescimento de 7,5% em 2010, caiu para menos de 1% no ano passado, eclipsado pelo crescimento de outros países da América Latina, como México e Peru.

Até recentemente, a Petrobras era a segunda petrolífera de capital aberto em valor de mercado, perdendo apenas para a Exxon Mobil. Mas suas fortunas despencaram a ponto de agora, ela valer menos do que a companhia nacional de petróleo da Colômbia. Essa queda acendeu um debate cada vez mais amargo no Brasil sobre as tentativas da presidente Dilma de usar a Petrobras para proteger a população brasileira da própria desaceleração da economia do país.

“A Petrobras já foi vista como indestrutível, o que não é mais o caso”, disse Adriano Pires, um proeminente consultor de energia brasileiro. “A Petrobras é hoje uma ferramenta da política econômica de curto prazo, usada para proteger a indústria nacional da concorrência e combater a inflação. Este processo desastroso irá se intensificar se não for revertido”.

Dilma, como seu antecessor e mentor político, Lula da Silva, se baseou fortemente em empresas estatais como a Petrobras para criar empregos e estimular a economia. Como resultado, argumentam a presidente e seus principais assessores, o desemprego continua perto de baixas históricas, uma abordagem de gestão econômica que contrasta fortemente com a Europa e os Estados Unidos.

Em 2012, a produção da Petrobras caiu 2%, a primeira queda em anos, e sua produção caiu um pouco novamente no início deste ano. Para piorar as coisas, a demanda nacional de gasolina subiu cerca de 20% em 2012, seguindo a indústria de produção de automóveis, que tem crescido em parte como resultado dos esforços do governo para levantar a produção.

Fonte: Opinião & Notícia

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