Ninguém escuta

Passamos de um extremo a outro. Há três anos, tínhamos um presidente que falava longas horas em frente ao microfone, e agora contamos com outro que não nos dirige a palavra. Confesso que prefiro o estilo discreto, porém, estão pendentes muitas explicações que urge dar ante tanto descontentamento. Alguém tem que parar e dizer porque fracassou a reforma salarial, a razão de negar importância à tão necessária entrega de terras e os motivos que impediram a diminuição do hiato entre o peso cubano e a moeda conversível.

Um rosto precisa aparecer para nos dar conta de como ficou o fim da permissão para viajar para fora de Cuba, o que foi feito com a repetida palavra de ordem de diminuir importações ou que caminho tomou o apropriado aperfeiçoamento empresarial. A mesma voz que, em 2007, declarava que oxalá houvesse “uma jarra de leite ao alcance de todos” deve revelar-nos agora por que tornou-se tão difícil colocar o apreciado líquido na boca de nossos filhos. Esse homem que fez renascer as ilusões entre muitos de meus compatriotas deve expressar-se agora e confessar seu fracasso ou, ao menos, contar-nos suas limitações.

Espero um esclarecimento de porque não foi aceita a proposta do Obama para que empresas de telecomunicações norteamericanas forneçam Internet para os cubanos.

Espero, como muitos que me cercam, uma argumentação convincente sobre por que não entramos na OEA ou as razões para não aplicar, entretanto, o conteúdo do Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos.

A lista de perguntas sem respostas é grande e esconder-se de tantas interrogações não vai solucionar os problemas. Por favor, que alguém – com respostas – dê logo a cara.

(Publicado em Geração Y)

RELACIONADOS

Deixe um comentário