“O Brasil continua a ser uma ilha de iniciativa cercada de governo por todos os lados”, diz Helio Beltrão

De um lado as demandas dos empresários, do outro as incontáveis promessas da equipe econômica da presidente Dilma Rousseff. Esse foi o tom do encontro entre a presidente e o grupo de 29 grandes empresários brasileiros, realizado na última semana, no Palácio do Planalto.

Hélio Beltrão

Entre as promessas do ministro da Fazenda, Guido Mantega, estão: a manutenção das medidas para impedir a valorização do real frente ao dólar, a desoneração dos impostos e das folhas de pagamentos, a redução das taxas de juros e das tarifas de energia e o aumento dos investimentos em infraestrutura.

Apesar de reconhecer a necessidade de se conter a valorização do real, o especialista do Instituto Millenium e presidente do Instituto Mises Brasil, Helio Beltrão, não acha que a questão do câmbio seja o principal problema da economia brasileira. “O mais importante é desonerar a economia e tirar a intrusão enorme e crescente do Estado para deixar o empresário empreender. Como a Dilma quer que se aumente a taxa de investimentos, se o Brasil continua a ser uma ilha de iniciativa cercada de governo por todos os lados.”

Protecionismo

O especialista chamou a atenção para a diferença entre o discurso do governo e a realidade, em relação ao protecionismo. “Aparentemente, a Dilma não vai pelo lado do protecionismo que é o pior lado de todos. Mas sabemos que a Receita Federal já esta fazendo isso de uma forma indireta, segurando registros no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para impedir o aumento das importações.”

Essa tal desoneração parece ser para inglês ver.
Tributação

Beltrão tem uma postura cética ao plano de desoneração de tributos do governo. “No discurso, a Dilma tem demonstrado um comprometimento em dar melhores condições para os empresários. Ela tem um plano que parece ser liberal e que promove a eficiência da economia. Agora, não acredito que ela vai reduzir efetivamente os impostos. Essa tal desoneração parece ser para inglês ver. Mas se o inglês, o americano e os empresários brasileiros não virem de fato essa desoneração não vai acontecer o investimento que a Dilma pretende.”

Em contrapartida aos pedidos dos empresários, o governo cobrou mais investimentos e maior empenho da iniciativa privada no Congresso. Beltrão explica que os empresários só investirão se enxergarem a possibilidade de retorno. “Mesmo tendo toda essa intrusão governamental, o Brasil tem um certo nível de investimentos, porque, mal ou bem, você tem um mercado consumidor bastante grande e empresários bastante talentosos. Mas, com todos esses impostos e com essa burocracia fica muito complicado, principalmente para o empresário de porte médio e pequeno investir.  ”

O especialista alertou para o risco da formação de um arranjo entre o governo e os empresários, prejudicando os consumidores. “É possível que haja um conluio em uma situação em que o Estado e os empresários ganhem e que o consumidor e contribuinte percam.”

Para Beltrão, o fim da guerra fiscal, proposto pelo governo, representa um grande perigo para os estados brasileiros. “A unificação de alíquotas e a eliminação dos descontos dados pelos governos é extremamente negativa. Como a maior parte da infraestrutura está em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, os outros estados ficarão sem armas para poder competir. Isso seria uma cartada final na centralização do estado brasileiro no governo central.”

 

 

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1 comment

  1. Salomão Carvalho

    A esquerda no governo tutela tudo em volta, querendo ‘resolver’ até briga de gatos na esquina, mas engessa algumas áreas e deixa à solta outras, promovendo maiores desigualdades que as que quis corrigir. A estupidez ideológica do PT beira ao irracional, e, infelizmente que paga a conta é que produz. O país não pode conviver com uma carga tributária absurda para manter os do governo petista vendendo uma utopia de corrigir todas desigualdades sociais. O povo brasileiro precisa despertar, se é que já não está revirando deste pesadelo, e tirar este partido do poder.