“O lobby em favor do protecionismo é muito forte”, afirma Alexandre Barros

Alexandre Barros

O aumento das taxas de importação e a série de benefícios à produção nacional colocam o Brasil como um dos líderes do protecionismo econômico em 2012. O levantamento realizado em conjunto pela Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Organização Mundial do Comércio (OMC) alerta para a perpetuação das intervenções governamentais diante da crise da economia global. O relatório, divulgado hoje em Genebra e Paris, chama atenção para o fato de que medidas anunciadas como temporárias estão adquirindo um caráter permanente.

“O lobby em favor do protecionismo é muito forte”, opina o cientista político e especialista do Instituto Millenium, Alexandre Barros. O especialista prevê o aumento das retaliações do comércio exterior aos produtos brasileiros. “A primeira retaliação é que os outros países começam a ter medidas protecionistas contra nós”, explica.

Barros acredita que os Estados Unidos e a Europa devem reforçar as barreiras em áreas tradicionalmente protegidas. “O protecionismo sobre o etanol norte-americano é um dos que mais prejudicam o Brasil. Nos Estados Unidos, o álcool é produzido a partir do milho e não da cana-de-açúcar. É obrigatória a adição de 20% de etanol de milho em toda a gasolina vendida nos EUA. Essas coisas podem ficar piores”, comenta.

Os países ricos alegam que o Brasil descumpriu o compromisso de não elevar as barreiras comercias, assumido junto aos governos no âmbito do G-20.  Os representantes da equipe econômica do governo argumentam que as tarifas sobre os produtos importados respeitam o teto estabelecido pela OMC, que é de 35%. Durante 67ª Assembléia Geral da ONU, realizada em setembro, a presidente defendeu a proteção da indústria brasileira contra o “tsunami” de dólares e valorização “artificial” do real.

“Quem sofre com isso são os brasileiros que têm que pagar mais caro para sustentar indústrias em geral ineficientes”, conclui o cientista político.

Fonte: “Estado de São Paulo”, 29/10/2012

RELACIONADOS

Deixe um comentário