O protesto de Polona e Kahina na China

Polona Florijančič é uma estudante eslovena de Legislação de Direitos Humanos na Universidade Brunel, em Londres. Polona é miúda e tão delicada que tenho de me lembrar de não abraçá-la forte demais. Não se deixe enganar pelo seu tamanho, porém. Ela tem coração de leão quando o assunto é se posicionar contra tiranos. Polona é uma militante ativa e apaixonada do Movimento Verde no Irã desde o início. É um rosto conhecido dos iranianos em Londres, e pode ser vista em quase todos os eventos importantes em apoio ao Movimento Verde.

Polona estava na China numa viagem escolar com sua universidade, que coincidiu com o aniversário das fraudes eleitorais no Irã. Ela decidiu organizar um protesto em frente à embaixada iraniana em Pequim com sua amiga e colega sueca, Kahina Bakhti. Ahmadinejad também se encontrava na China na época, portanto fazer o protesto era ainda mais significativo.

Juntas, elas simplesmente seguraram um cartaz que dizia em inglês : “Liberte o Irã, diga NÃO à Teocracia”. Isso foi demais para os imbecis intolerantes da embaixada. Não acreditaram que mesmo em Pequim houvesse gente protestando contra eles.

Passado o choque inicial, vários agentes aparentando ser iranianos surgiram do nada, assim como de dentro da embaixada, para impedir Polona e Kahina. Os idiotas da embaixada ordenaram que a polícia chinesa prendesse as manifestantes. Um deles ficava dizendo à polícia chinesa: “Elas não são nem iranianas!”, como se não-iranianos não tivessem o direito de protestar contra os abusos aos direitos humanos no Irã. Ele encarava Polona com um olhar assassino, com a intenção de intimidá-la.

Polona e Kahina resistiram o quanto puderam, até dois carros da polícia chinesa as levarem. A pequena Polona gritava de dentro do carro da polícia para o imbecil da embaixada com o olhar assassino: “Você consegue torturar seu próprio povo, mas não consegue encostar em mim!”

Deve ter sido nessa hora que recebi a seguinte mensagem: “Estou sendo levada para a delegacia de polícia. Não posso contar à minha mãe. Avisei meu professor, mas ele não respondeu. Se você não tiver notícias minhas dentro de algumas horas, por favor avise minha embaixada no Reino Unido que estamos numa delegacia de polícia próxima à embaixada iraniana”.

Como era sábado, a embaixada eslovena estava fechada. Eu não sabia mais o que fazer, além de avisar a todo mundo, inclusive os amigos dela no Facebook. Respondi a ela com esta mensagem: “Àqueles que estão detendo Polona. Representantes diplomáticos foram informados, assim como a imprensa. Se ela sofrer qualquer tipo de dano, vocês serão responsáveis e estarão sujeitos a consequências severas”.

Achei que seus captores leriam isso, mas apenas Polona leu após ser solta e receber seu telefone de volta : )
Polona e Kahina foram interrogadas por dois agentes chineses que falavam inglês, mas não sabiam nada sobre o Irã.

– Por que estão fazendo isso?
– O que é Teocracia?
– O que é um Aiatolá?

De vez em quando os interrogadores se solidarizavam com elas, ao ouvir o que acontecera no Irã no ano passado. “Vocês têm razão, Teocracia é ruim”

Os interrogatórios e o excesso de papelada para a soltura levaram a noite toda. “Vocês fizeram da minha vida um inferno esta noite, com toda essa papelada”, um deles disse a Polona, mas de manhã, depois de não terem sido alimentadas a noite toda, a polícia chinesa foi gentil em lhes trazer comida do KFC. Kahina atrevidamente sussurrou para Polona : “Você acha que a gente pode pedir sorvete também?” :)

Polona e Kahina chegaram em Londres, Heathrow, na quinta-feira, e foram recebidas como heroínas pelos defensores do Movimento Verde. “Elas não são iranianas”, mas agora somos uma grande família global que fará pressão pela democracia e direitos humanos no Irã onde estivermos, e cuidaremos de todos que fazem parte desta família estendida, sejam iranianos ou não!

O retorno a Londres de Polona e Kahina:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=sobg0XGsUG8[/youtube]

‘Elas nem são iranianas, elas nem são iranianas’.


A prisão de Kahina:

Publicado no blog de Potkin Azarmehr
Tradução: Anna Lim (annixvds@gmail.com)

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