Oito em cada dez escolas do Rio têm ensino ruim de matemática

Já em português, só 34,9% tiveram desempenho esperado no 9º anol, segundo levantamento do Todos Pela Educação

Levantamento realizado pelo grupo Todos Pela Educação, com base nos dados da última edição da Prova Brasil, de 2013, mostra uma equação difícil de ser resolvida: nada mais que duas em cada dez escolas da rede pública da cidade do Rio apresentam um aprendizado suficiente em matemática no 9º ano. Já em português, somente 34,9% dos colégios cariocas obtiveram uma pontuação adequada. As informações mostram a dificuldade para se cumprir uma das metas do Plano Nacional de Educação, divulgado ano passado, que prevê a melhora da educação básica no país.

— Percebemos uma estagnação em cidades que estavam em processo de evolução. No Sudeste, isso fica claro. No Norte e no Nordeste, que apresentaram resultados inferiores nas últimas edições da Prova Brasil, a melhora no aprendizado está sendo maior — afirma Alejandra Velasco, coordenadora do Todos Pela Educação.

O grupo elaborou uma meta bienal para cada cidade brasileira, de forma que todos os municípios tenham 70% de suas escolas com ensino básico adequado até 2022. Para isso, é prevista uma pontuação mínima, que deve ser alcançada na avaliação do governo federal. A cada edição da Prova Brasil é estabelecido um novo percentual a ser atingido no próximo exame.

A cidade do Rio tinha a meta de colocar 37,8% dos alunos com boas notas em matemática e 41,8% em português em 2013. Decepcionou nas duas disciplinas. Na primeira, conseguiu apenas 18,3%, percentual abaixo do alcançado na edição de 2011 (18,6%). Na segunda, atingiu 34,9%. A secretária municipal de Educação, Helena Bonemy, acredita que o resultado reflete um ano atípico no ensino carioca:

— Tivemos um crescimento no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre 2009 e 2013 de 22%. O problema nesta edição pode estar relacionado ao ano letivo que tivemos em 2013. Enfrentamos 85 dias de greve de professores, entre agosto e outubro, e a Prova Brasil foi realizada em novembro.

Necessidade de novas políticas

A secretária também afirma que o resultado deverá melhorar na próxima edição, que será realizada este ano. As metas do Todos pela Educação para o município são 46% das escolas com notas boas em matemática e 49% em português.

— Fazemos um trabalho consistente, que demonstra uma evolução no nosso ensino. Temos certeza de que, na prova deste ano, o quadro se reverterá — afirma a secretária.

O Estado do Rio também não escapa da recuperação se depender do levantamento. Somente 5% das escolas atingiram a meta estabelecida em português. Já em matemática, a situação é pior: 97,8% das escolas não cresceram o suficiente na disciplina. Procurada para comentar o fraco desempenho, a Secretaria Estadual de Educação se limitou a ressaltar a importância do processo de avaliação para a melhoria do ensino fluminense.

Nacionalmente, o desempenho é igualmente preocupante. Apenas uma em cada dez cidades atingiram o objetivo estabelecido em matemática. Já no estudo de língua portuguesa, o número sobe — mas sem grandes vitórias — para três em cada dez municípios.

— Isto mostra que é necessário empreender novas políticas públicas, pois, se as cidades que cresceram nas provas anteriores estagnaram, as que estão em evolução agora podem sofrer o mesmo mal — afirma Alejandra.

Muito discurso, pouca prática

Para a pedagoga Ana Paula Santos, especialista em Educação Básica pela Universidade Federal Fluminense (UFF), os dados mostram que o Brasil possui uma imensa dificuldade de colocar os discursos em prática:

— No ano passado, tivemos a divulgação do Plano Nacional de Educação. Este ano, foi colocado que o lema do mandato será “Brasil: Pátria educadora”. Mas poucos são os esforços vistos e praticados pelos governos das três esferas para mudar o quadro nacional.

O uso das notas das avaliações feitas pelo governo federal, como a Prova Brasil e o Enem, também é visto com cautela pela pedagoga:

— É evidente que é necessário avaliar de alguma forma. Porém, não se deve considerar que uma educação satisfatória está ligada só a uma boa nota. A Prova Brasil, por exemplo, retrata apenas duas disciplinas. Se os governos se focarem somente em aumentar estas notas, poderão perder a qualidade que já possuem em outras áreas.

Fonte: O Globo

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