Para especialistas, é cedo para ser otimista com a economia

Apesar de dizerem que ainda é cedo para falar em otimismo com a economia, especialistas dizem que, para o consumidor médio, a sensação é que o pior pode ter passado. Essa percepção foi captada na pesquisa Datafolha realizada na última terça-feira, que mostrou a presidente Dilma Rousseff com 52% das intenções dos votos válidos, quatro pontos à frente do tucano Aécio Neves (48%). Segundo a pesquisa, em menos de um mês, o percentual de eleitores que dizem esperar o aumento da inflação caiu de 50% para 31%. A expectativa sobre aumento do desemprego também caiu de 36% para 26%, no período; e cresceu de 32% para 44% a parcela dos que acham que a situação econômica do país vai melhorar.

Economistas argumentam que a renda permanece subindo acima da inflação, e o mercado de trabalho, em que pese a fraca geração de vagas, ainda absorve as pessoas em busca de emprego. Esses fatores, associados a melhores expectativas para indicadores como o PIB (soma de bens e serviços produzidos na economia) no terceiro trimestre e melhora na produção industrial, podem ajudar a explicar os índices aferidos na pesquisa.

O humor das famílias está melhor, avalia o ex-diretor do Banco Central (BC) e chefe da divisão econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas. O economista cita o fato de que, apesar de alta —o último dado disponível é de alta de 6,75% nos últimos 12 meses encerrados em setembro —, a inflação deve ceder nos próximos meses e terminar o ano dentro do teto da meta.

Percepção de endividamento

Do lado das famílias, pesquisa inédita da CNC mostra que caiu a percepção de endividamento das famílias para o patamar mais baixo desde janeiro de 2010. Entre as famílias pesquisadas em todo o país, 11% tinham a percepção de estar muito endividadas em outubro. Caiu também perspectiva de inadimplência. As famílias que se sentiam sem condição de arcar com suas dívidas passou de 5,9%, em setembro, para 5,4%, em outubro, outra mínima.

— Furou aquela onda de pessimismo exagerada. O consumidor ainda tem a renda real crescendo e o emprego ainda está bem. O dólar subiu bastante (recentemente), mas não disparou como em 2002, é um sintoma que não há falta de controle — afirmou Freitas.

O Índice de Confiança do Consumidor, captado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), é outro indicador que mostra uma melhora nas expectativas. Enquanto a percepção sobre a situação atual ainda cai entre agosto e setembro, a confiança na economia nos próximos meses avançou de 100,1 para 102,2. Neste ano, a onda anterior de otimismo ocorreu entre os consumidores ocorreu nos em junho e julho, durante a Copa do Mundo. O economista Vinícius Botelho, do Núcleo de Análise Macroeconômica da FGV, lembra que nem sempre as ondas de otimismo têm relação direta com fatos específicos. Enquanto há essa melhora para os consumidores no último dado, para empresários da indústria, as expectativas permanecem no “vale” depois de nove quedas consecutivas, e ainda no menor nível desde 2009.

Para Botelho, o consumidor pode estar sendo influenciado pelo fato de que alguns indicadores pararam de cair ou apresentaram leve melhora. A expectativa de crescimento da economia é uma delas. A projeção da FGV para o terceiro trimestre é que o PIB registre 0%. Se não aponta para uma alta consistente, traz um alívio após dois trimestres consecutivos de queda (-0,2% e -0,6%), o que configura uma recessão técnica.

— Não necessariamente a ideia é positiva, mas talvez seja a noção de que paramos de piorar. É uma melhora, mas não é um nível melhor. O consumidor entende os dados ruins agora, mas imagina que devem melhorar para o próximo ano — afirmou Botelho.

Fonte: O Globo.

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