Para Telma Darn, produtos turísticos brasileiros devem ser mais competitivos

Docente da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em Sorocaba, ela analisa cenário para o turismo no Brasil

Segundo dados do Ministério do Turismo (MTur), em 2012, o país registrou aumento de 4,5% na entrada de estrangeiros, quando comparado com 2011. Já no segundo semestre de 2013, o faturamento do setor cresceu 4,8%. As expectativas para os próximos anos apontam para um quadro positivo. Até 2016, a estimativa do MTur é que o Brasil apresente um crescimento anual de 8% na entrada de turistas estrangeiros no país.

Outras pesquisas dão conta dos avanços esperados para o setor. E um dos motivos para o incremento ao turismo brasileiro é a realização dos grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Telma Darn

Nesta entrevista ao Instituto Millenium, Telma Darn, coordenadora do Observatório do Turismo de São Paulo (Oturesp) e professora do curso de Turismo da Universidade Federal de São Carlos, em Sorocaba (SP), aponta perspectivas e investimentos necessários ao turismo brasileiro nos próximos anos. Além de identificar as oportunidades para o setor, Darn faz uma análise da infraestrutura do país para receber o volume de turistas previstos para os grandes eventos.

Instituto Millenium: Nos últimos anos, o Brasil vem registrando aumento no fluxo de turistas estrangeiros que visitam o país. O que explica esse desempenho do setor?
Telma Darn:
Primeiramente podemos destacar a criação do Ministério do Turismo, com orçamento próprio e o desenvolvimento de políticas, programas e ações continuadas. A captação de grandes eventos esportivos, destacadamente a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016, é estratégica, por ser capaz de gerar demanda turística para o Brasil nos próximos anos.

Instituto Millenium: Existe algum nicho que ainda precisa ser melhor explorado pelo turismo nacional?
Darn:
É oportuno destacar a diversidade de produtos turísticos do país e as variadas possibilidades que produzem. No entanto, saliento que não basta a existência de um atrativo para que seja possível a conformação de um produto turístico. Seja ele natural ou criação do homem, devemos contar também com as facilidades de hospedagem, alimentação e entretenimento. Além disso, é preciso ter capacidade de ofertar acesso, via portos, aeroportos, rodovias e ferrovias; bem como a boa qualidade de toda a infraestrutura instalada e mão de obra qualificada. Podemos admitir que, embora tenhamos muitos atrativos turísticos no Brasil, a exploração comercial deles depende da oferta de infraestrutura pelo poder público e do incentivo aos empreendedores.

Importa destacar também a necessidade de estratégias mercadológicas capazes de divulgar os produtos turísticos para os diferentes públicos. E é neste quesito, no marketing, que, segundo pesquisas recentes, as destinações e produtos turísticos brasileiros receberam as menores pontuações, mostrando também a necessidade de sermos mais competitivos.

Instituto Millenium: Desde as manifestações de junho, a população questiona os investimentos públicos para o país receber grandes eventos e a falta de investimentos em serviços básicos para a população. Como a senhora analisa a infraestrutura brasileira? Nossas cidades estão preparadas para receber esse volume crescente de turistas, incluindo os que devem nos visitar durante a Copa e as Olimpíadas?
Darn:
Sabemos da existência dos problemas de infraestrutura no Brasil, destacadamente de portos e aeroportos, mobilidade urbana, saúde e educação. Para atender às exigências dos grandes eventos, políticas públicas, que envolvem vários ministérios, estão sendo desenvolvidas, buscando preparar as cidades para o possível aumento de turistas. Acredito que esses grandes eventos são planejados para mostrar aos turistas e aos telespectadores países e cidades bem organizados, expondo os pontos positivos e escondendo ou “mascarando” problemas existentes.

Instituto Millenium: Os aeroportos brasileiros não conseguem atender a demanda interna de forma eficiente. Em sua opinião, esse quadro pode ser entendido como um sinal de que não temos condições de receber um grande fluxo de turistas?
Darn:
Segundo a Infraero, em algumas cidades-sede da Copa do Mundo, aeroportos vêm sendo reformados e terminais denominados módulos operacionais provisórios, edificados. O objetivo é atender a demanda atual e o aumento para o evento. Acredito que, durante a Copa, ações de atendimento prioritário e diferenciado aos “turistas-Copa” deverão ser implementadas nos aeroportos, de forma que os atuais problemas que os passageiros têm enfrentado diariamente nos aeroportos brasileiros sejam minimizados para esses turistas.

Instituto Millenium: Apesar das críticas, quais os ganhos que o recebimento de grandes eventos proporciona para a economia do Brasil?
Darn:
Economicamente, o país e as cidades-sede fazem um grande esforço financeiro para a realização dos eventos e o resultado econômico não necessariamente acontece durante os mesmos. Depois da Copa do Mundo de 2006, estudos de economistas alemães revelaram que os maiores ganhos com o evento estão na imagem que o país conseguiu apresentar ao mundo e nas consequências [para a economia] após os jogos.

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