Parentes suprem falta de insumos no Hospital Carlos Chagas do próprio bolso

Desde sábado, a dona de casa Elaine Cristina Carneiro, de 38 anos, se reveza entre os cuidados com o filho de 2 anos e com a mãe, Sandra Regina, internada no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes. Se o tempo é curto, o dinheiro está ficando ainda mais apertado. Com a unidade sem medicamentos, ela tem tirado do próprio bolso para comprar remédios, fraldas e até papel higiênico para Sandra. Em seis dias, já havia gastado R$ 150, além de receber ajuda de amigos.

“E quem não pode comprar o remédio?”, pergunta Elaine.

Moradora da Pavuna, ela comprou um genérico do Atrovent e um Alenia, medicamentos prescritos contra a bronquite da mãe, pelo valor de R$ 69. Uma enfermeira também se ofereceu para diluir a hidrocortisona de 500 mg, única disponível, até 100 mg — outra substância importante, que não é vendida em farmácias, para cuidar de Sandra, que também teria uma suspeita de enfarte.

— Enquanto isso, ela precisa também de uma injeção anticoagulante que não tem no hospital. Acabei comprando o Clexane de 40 mg, que me custou outros R$ 79 — conta Elaine, que mobilizou a família e até publicou no Facebook pedido de ajuda nas despesas.

Os dois pacotes de fralda geriátrica, “escassa no hospital”, a dona de casa pediu ao tio que não deixasse faltar. Isso, fora o lençol e o edredom, levados de casa.

Já Maria das Graças Costa, de 64 anos, traz na bolsa rolos de papel higiênico para ela e o marido, Wildson Costa, de 63, internado há 15 dias com isquemia e diabetes.

— Comprei, ainda, a caixa com fitas para medir (a glicemia), cada uma a R$ 60. Vêm 25. Antes, mediam tirando sangue, mas demorava muito”, explicou.

Equipe ‘faz o que pode’

Funcionários também sofrem por não conseguirem dar o melhor atendimento.

— Chega material e não vai nem para o estoque, vai direto para a prateleira. Quando falta algo e não dá problema (com o tratamento de pacientes, que sorte! Mas não dá para “furar o pneu”, aí, bate o desespero — compara um funcionário da administração do hospital: — É aí que entra a religião. Tem que ter fé.

Maria das Graças e Elaine, que acompanham o marido e a mãe, observam o sentimento de impotência dos profissionais:

— Os médicos e enfermeiros fazem o que podem, mas estamos à mercê do Estado — reclamou Maria.

Fonte: Extra.

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